POLÍTICAS LINGUÍSTICAS E INTERNACIONALIZAÇÃO: uma cartografia social dos programas estaduais de intercâmbio internacional do Nordeste brasileiro
Políticas Linguísticas. Internacionalização Educacional. Intercâmbio Internacional. Nordeste.
OO Nordeste brasileiro constitui-se não apenas como espaço de forte tradição histórica e cultural, mas também como território estratégico de desenvolvimento, inovação e produção de saberes, embora permaneça, historicamente, à margem dos debates educacionais nacionais e das agendas de internacionalização. Ancorada nos aportes da decolonialidade e da Linguística Aplicada Crítica, esta tese tem como objetivo mapear e analisar criticamente os Programas Estaduais de Intercâmbio Internacional (PEIIs), com foco especial naqueles implementados por sete dos nove Estados nordestinos, examinando seus sentidos, limites e contribuições enquanto Políticas Linguísticas (PL) localmente orientadas no contexto da Internacionalização Educacional (IE) no período pós-Ciência sem Fronteiras. De modo mais específico, investiga-se como esses programas, direcionados a estudantes e docentes da educação básica e superior das redes públicas, se constituem institucionalmente e como operam os mecanismos de PL (Shohamy, 2006), buscando apreender tanto suas promessas de democratização do acesso à aprendizagem de línguas adicionais quanto as brechas possíveis para rupturas de lógicas coloniais persistentes. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se na Cartografia Social, compreendida como um método rizomático de análise, que articula a leitura crítica de legislações, editais e documentos oficiais, o acompanhamento de discursos midiáticos e institucionais em ambientes digitais, bem como entrevistas com gestores diretamente envolvidos na concepção e execução dos programas. A Análise Temática ajudou a revelar resultados que apontam os PEIIs como políticas públicas dinâmicas, marcadas por descontinuidades, desigualdades e processos de decalque entre Estados, frequentemente desenvolvidas com limitada participação docente e frágil institucionalização de mecanismos de acompanhamento e avaliação. Enquanto mecanismos de PLs, os PEIIs também se mostram atravessados por disputas de poder em sua concepção e materialização. Ainda assim, evidenciam-se potenciais relevantes desses programas para a transformação das realidades locais, sobretudo por meio da valorização do ensino de línguas adicionais, da ampliação de experiências de imersão linguística e cultural no exterior e da reconfiguração de expectativas educacionais de estudantes historicamente excluídos desses circuitos. A tese, portanto, sustenta que os PEIIs operam em um campo de tensões entre reprodução e ruptura, no qual se inscrevem possibilidades de (re)construções da realidade nordestina