Banca de DEFESA: DEBSON CARLOS CUNHA RAMOS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : DEBSON CARLOS CUNHA RAMOS
DATA : 11/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 15 do IL
TÍTULO:

ESTUDO ARTICULATÓRIO, ACÚSTICO E AERODINÂMICO SOBRE A HARMONIA NASAL NA LÍNGUA GUAJÁ (TUPI-GUARANI).


PALAVRAS-CHAVES:

Harmonia Nasal; língua Guajá; Tipologia Fonológica; Nasalidade


PÁGINAS: 150
RESUMO:

O objetivo desta dissertação é apresentar uma análise atual e pautada em novos dados e métodos aerodinâmicos sobre o fenômeno da Harmonia Nasal na língua Guajá, falada pelos Awa, no estado do Maranhão e pertencente ao subgrupo V da família Tupi-Guarani, Tronco Tupi (Rodrigues, 1986; Dietrich, 2010). Partindo de descrições fonético-fonológicas anteriores de Cunha (1987) e Nascimento (2008), pretendemos investigar o estatuto da nasalização referente ao processo de espalhamento do fluxo nasal e o comportamento que cada grupo de segmentos desempenha no processo (as vogais nasais tônicas, as vogais átonas, as obstruintes e africada e os glides e laríngeos). Para tanto, os dados que baseiam nossa atual proposta de análise foram coletados com uso de material adequado e desenvolvido para este modelo de análise, com o EGGD800, cujo maior diferencial está na distinção que o aparelho emprega, quando da coleta, entre os fluxos de ar oral e nasal e sua otimidade para submissão à análise acústica e aerodinâmica modernas via Praat. Após segmentação, selecionamos um total de 6 falantes (3 homens e 3 mulheres) de aldeias e clãs distintos a fim de termos uma amostragem o mais geral possível da língua. Com o Praat Picture, ferramenta nativa e auxiliar do Praat, construímos as demonstrações que mostram em detalhe o comportamento dos fluxos oral e nasal no domínio da palavra. Com relação à interpretação do fenômeno, trabalhos como de Cohn (1990), Walker (1998; 2011), Escobar (2017) e Miranda e Picanço (2020) servem como norte de análise e para as diferentes configurações que a Harmonia Nasal apresenta. Assim, chegamos a alguns resultados mais gerais para o Guajá, tais como: A partir do gatilho, que é a vogal da sílaba tônica sempre à direita dos vocábulos, as demais vogais figuram como alvo da nasalidade, assim como os glides palatal /j/ e o labial /w/, tendo estes apresentado maior atração da nasalidade do que as vogais átonas. A glotal /h/ apresenta um comportamento distinto na língua, sendo alvo da Harmonia Nasal, podendo também ser pico da nasalidade espraiada. Em contextos orais, o segmento apresenta nasalidade intrínseca, concentrando os picos nos fluxos oral e nasal simultaneamente. O /h/ apresenta ainda nasalidade quando é o segmento que inicia o vocábulo, sendo estes dois últimos casos interpretados como rinoglotofilia. A vibrante simples /ɾ/ também é alvo da nasalidade, oscilando entre manter-se inalterada em palavras maiores em que, portanto, o segmento está longe do gatilho; torna-se fraca ou fortemente nasalizada [ɾ̃, ɾ̰] ou ser realizada como um segmento nasal pleno [n] em contextos de Harmonia. As obstruintes /p/, /t/, /tʃ/, /k/, /kʷ, ʔ/, por sua vez, só agem como bloqueadoras da Harmonia Nasal se estiverem em sequência, num efeito conjunto. Mas funcionam como segmentos transparentes ou semitransparente quando isoladas, num contexto silábico ou vocabular. O mesmo comportamento foi atestado para a oclusiva glotal /ʔ/. Postulamos ainda [ɲ] como alofone de /j/ para contextos nasais. Verificamos que vogais e glides em início de palavra apresentam nasalidade pontual conforme hipótese de Rodrigues (2003). Por fim, a Harmonia Nasal do Guajá exibe um padrão gradiente, demonstrando que acontece um abaixamento gradual do véu palatino.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - MYRIAM LAPIERRE - MCGILL
Presidente - 2242332 - MARINA MARIA SILVA MAGALHAES
Externo à Instituição - MARIO ANDRE COELHO DA SILVA - UFG
Interno - 2153208 - THIAGO COSTA CHACON
Notícia cadastrada em: 29/01/2026 11:19
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