Banca de QUALIFICAÇÃO: JOÃO VICTOR MEDEIROS KOTLINSKI DEARMAS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JOÃO VICTOR MEDEIROS KOTLINSKI DEARMAS
DATA : 11/03/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Plataforma Teams
TÍTULO:

Sentenças do tipo vai que: um estudo acerca da graática da interação linguística


PALAVRAS-CHAVES:

Sentenças do tipo vai que; Interface sintaxe–pragmática; Pragmaticalização; Periferia esquerda da sentença; Atos de fala; Português do Brasil.


PÁGINAS: 75
RESUMO:

Primeiramente, o domínio empírico desta pesquisa consiste em um grupo específico de estruturas do português brasileiro (PB), as sentenças do tipo ‘vai que’ – termo adotado para designar as frases como (1): (1) Vai que chove mais tarde. Em termos de ordem linear, essas sentenças são identificadas pela forma verbal vai seguida do complementizador que e de uma sentença declarativa. Elas são muito comuns na linguagem falada cotidiana e em registros informais da linguagem escrita – especialmente nas mídias sociais. A investigação sistemática dessas estruturas começa com Longhin-Thomazi (2010), mas somente recentemente o tema recebeu mais atenção tanto em abordagens funcionais (Andrade, 2019; Ely & Cezario, 2023a; 2023b; Coutinho et al., 2024) quanto formais (Dearmas, 2021; 2022; Ferreira & Rech, 2024). Todos esses trabalhos abordam vai como uma forma gramaticalizada (ou pragmatizada) do verbo ir e, em todos eles, vai que é tratado como uma espécie de unidade lexical. Tanto Longhin-Thomazi (2010) quanto Andrade (2019) o tratam como um marcador discursivo que “conecta” orações – uma perspectiva geralmente adotada em trabalhos posteriores de orientação funcional. O primeiro busca um paralelo com as estruturas condicionais, enquanto o segundo se concentra em suas propriedades modais. Apesar de adotar uma abordagem significativamente diferente, Dearmas (2021; 2022) segue um caminho semelhante ao argumentar que vai que é um complementizador de oração matriz orientado ao discurso, parte da periferia esquerda da frase. Em conclusão, Dearmas (2022) se esforçou para compreender sua conexão com a força ilocucionária do enunciado. Embora não seja discutido adequadamente em outros trabalhos, é interessante notar que o tópico é mencionado direta ou indiretamente em todos eles. Em Longhin-Thomazi (2010), essas sentenças são seguidas por um ponto de interrogação – embora não haja menção direta a uma “natureza interrogativa”. Ely & Cezario (2023a: 162), no entanto, atentam para esse ponto, afirmando que o ponto de interrogação pode estar relacionado à natureza epistêmica “incerta” do que é dito, reafirmando a natureza não assertiva de tais sentenças. Como observado, Ely & Cezario (2023a; 2023b) e Coutinho et al. (2024) também postulam vai que como um marcador discursivo, mas, nesse caso, focam na natureza epistêmica dessas frases e na natureza não assertiva de seu significado, tratando-o vagamente como um operador modal. De uma perspectiva formal, Ferreira & Rech (2024) também defendem essa conclusão. Para os autores, vai que é um núcleo modal fraco que acessa as crenças do falante no momento do ato de fala. Este trabalho Qualificação visa apresentar o projeto de pesquisa em andamento Sentenças do tipo vai que: um estudo acerca da graática da interação linguística e seus desenvolvimentos atuais. O conteúdo está dividido principalmente em dois capítulos. No primeiro, apresento o arcabouço teórico e abordo as principais questões metodológicas sobre as quais as discussões se baseiam. No segundo, apresento as discussões teóricas específicas diretamente abordadas na análise e, em seguida, exploro as principais propriedades das sentenças do tipo vai que, delineando uma nova UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE LETRAS SECRETARIA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGUÍSTICA abordagem para sua estrutura. Quanto às motivações subjacentes à pesquisa, cabe ressaltar que, em geral, as investigações sobre o tema no âmbito da linguística formal são recentes e as propostas escritas são escassas. De uma perspectiva chomskiana, o tratamento isolado dado ao fenômeno dificulta o desenvolvimento de uma compreensão mais ampla dele em termos de Gramática Universal. Além disso, de uma perspectiva minimalista, trabalhos anteriores reúnem propriedades interessantes, mas as analisam de maneira desconexa ou não estruturada, dificultando a construção de um modelo explicativo capaz de capturar as propriedades dessas estruturas em um caminho derivacional. Daí a relevância desta proposta: é possível buscar alternativas que reconciliem as relações estruturais da gramática no nível da interface com a informação pragmática na dimensão conceitual-intencional da linguagem. Com o contexto estabelecido, a presente pesquisa visa estruturar um tratamento formal de sentenças com vai que dentro de uma arquitetura minimalista, contribuindo também para o desenvolvimento de um modelo explicativo para fenômenos relacionados à interface sintaxe-pragmática em línguas naturais. Este modelo considera especificamente como a informação conversacional – como o conhecimento, as intenções e as atitudes do falante em relação ao enunciado – pode ser codificada gramaticalmente. Este objetivo principal se desdobra nos seguintes objetivos específicos: I. Resumir as informações reunidas por trabalhos anteriores sobre sentenças com vai que; II. Descrever suas propriedades morfossintáticas, semânticas e pragmáticas relevantes; III. Analisar o uso dessas sentenças na interação linguística e seus efeitos conversacionais, focando em questões relacionadas à informatividade, ao estado de conhecimento dos participantes e como isso afeta o conhecimento comum; IV. Distinguir os papéis da informação linguística e do contexto conversacional na interpretação de sentenças do tipo vai que; V. Apresentar uma proposta sobre a estrutura sintática de sentenças do tipo vai que, levando em conta o papel dos núcleos lexicais e funcionais na derivação da estrutura e composição de seu significado; VI. Propor uma entrada lexical para o operador vai, considerando sua contribuição para o significado da frase e a informação que ele codifica na frase; VII. Apresentar evidências da codificação gramatical de informações conversacionais em línguas naturais, usando dados do português brasileiro; VIII. Usar os dados apresentados para argumentar em favor dos ‘marcadores ilocucionários’ como um grupo mais amplo de operadores gramaticais no nível dos atos de fala


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 1708050 - HELENA DA SILVA GUERRA VICENTE
Presidente - 2503858 - MARCUS VINICIUS DA SILVA LUNGUINHO
Notícia cadastrada em: 10/03/2026 11:04
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