Letramento visual como prática social: conexões sociossemióticas a partir do conjunto escultórico de Alfredo Ceschiatti nos espaços de poder de Brasília
Letramento Visual Crítico; Contaminação Semiótica; Escultura e Poder; Alfredo Ceschiatti, Análise Multimodal do Discurso
Esta tese investiga o letramento visual como prática social crítica, tomando como objeto três esculturas de Alfredo Ceschiatti em Brasília: As gêmeas (Palácio Itamaraty), Minerva (Biblioteca Central da UnB) e A contorcionista (Teatro Nacional). O objetivo é analisar como essas obras, enquanto textos multimodais, constroem sentidos sobre gênero feminino e discursos de poder. A metodologia estrutura-se por uma triangulação transdisciplinar entre três eixos analíticos: gênero feminino, multimodalidade e discurso de poder. Esse percurso é cartografado metaforicamente a partir de contos infantis, assumindo uma postura rizomática de investigação. A análise desenvolve-se em dois movimentos articulados. Primeiro, um capítulo teórico-lúdico dedica-se ao estudo de casos paradigmáticos da história da arte (como O casal Arnolfini e A redenção de Cam), onde são exercitadas e refinadas as ferramentas da semiótica social e da análise crítica do discurso. Em seguida, esse arsenal conceitual é “pouvilhado” — aplicado de forma econômica e direta — sobre as esculturas de Ceschiatti nos capítulos analíticos subsequentes. A investigação demonstra que as obras performam uma conciliação estética canônica, produzindo uma linguagem visual harmoniosa que naturaliza certas hierarquias. Contudo, essa conciliação revela-se permanentemente contaminada por tensões históricas e por redes intertextuais que conectam as esculturas a outras narrativas, configurando-as como sítios de disputa simbólica. A tese conclui propondo o letramento visual crítico, tal como praticado em seu percurso metodológico, como uma ferramenta epistêmica e pedagógica fundamental para a leitura desnaturalizadora dos artefatos visuais no espaço público.