Presente Passado: uma contribuição para a gramática das (proto)construções com auxiliares pós-verbais nas línguas Jê Setentrionais
TAME; Operadores; Morfossintaxe; Linguística Histórica
Esta tese tem como objetivo oferecer uma análise aprofundada da gramática das construções com auxiliares pós-verbais nas línguas Jê Setentrionais (< Jê < Macro-Jê), integrando descrições sincrônicas a propostas de reconstrução diacrônica de suas protoconstruções. Inicialmente, apresenta-se um panorama da morfossintaxe clausal dessas línguas, com ênfase nas distinções entre orações finitas e não finitas e nas implicações dessas diferenças para o alinhamento morfossintático e a codificação de constituintes. Também são destacadas certas inovações, entre as quais se sobressai a evolução de uma posposição nominativa derivada de um relativizador nas línguas Tapajós. Em seguida, examinam-se construções específicas, cuidadosamente selecionadas de modo a contemplar cada categoria de Tempo-Aspecto-Modalidade/Evidencialidade-Polaridade (TAMP). O Capítulo 2 dedica-se às construções de negação, descrevendo a distribuição dos reflexos dos dois auxiliares *inõare e *ket, bem como seus percursos evolutivos nos diferentes subgrupos do ramo Jê Setentrional. No Capítulo 3, analisa-se a posposição -do, mapeando suas múltiplas funções cogramatificadas (comitativa, instrumental, ornamental, perlativa, temática e temporal) e sugerindo trajetórias de gramaticalização que sustentam parte das construções pós-verbais. O Capítulo 4 aborda as construções de movimento associado (MA) e de imperfectividade, demonstrando que seus valores aspectuais emergem da interação entre verbos de movimento (*mõ/*-mõr, *tẽ/*-tẽm, *mbra/*-mbrar, *-ba) e a estrutura interna do evento. Já o Capítulo 5 trata das construções de postura associada (PA), evidenciando a transição de verbos posturais plenos para auxiliares aspectuais (progressivo, contínuo, continuativo e habitual) e propondo um percurso evolutivo em três estágios (postura associada > imperfectivo > continuativo/habitual), culminando em marcas de habitualidade nas línguas Tapajós e em Mẽhĩ. Por fim, o Capítulo 6 explora um conjunto de construções que expressam noções de projeção (modalidade epistêmica, aspecto prospectivo e tempo futuro) nas línguas Trans-Araguaia, propondo que estas se originam de construções com posposições locativas dinâmicas.