A alternância entre mas e só que: variação, mudança linguística e gramaticalização de conjunções.
conjunção adversativa, Distrito Federal, Sobradinho, Vila Planalto, Sociolinguística Variacionista.
Este trabalho visa compreender como ocorre a alternância entre a conjunção mas e a locução conjuntiva só que, incluindo ainda algumas variantes que são menos frequentes, mas que também atuam como adverativas (e, aí, agora e assindética) mais precisamente nas regiões de Sobradinho e Vila Planalto. A hipótese geral é de que o a conjunção mas (a adversativa por excelência em Português Brasileiro) seja mais utilizada se comparada com a locução conjuntiva só que, a qual é relativamente nova. A presente pesquisa tem como pilar teórico a sociolinguística variacionista laboviana, sobretudo nos conceitos de variação e mudança (Labov, 2008 [1972]; Weinreich, Labov, Herzog, 2006) e metodológico com o programa Goldvarb X (Sankoff, Tagliamonte, Smith, 2005) com intuito de auxiliar na análise quantitativa. Como variáveis independentes, o estudo analisa Grau de escolaridade (Educação Infantil, Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Ensino Superior); Faixa etária (entre 5 e 9 anos, entre 10 e 12 anos, entre 13 e 17 anos e acima de 18 anos); Sexo (homem e mulher); Região Administrativa (Sobradinho e Vila Planlto); Tipo de frase (afirmativa, negativa, exclamativa, interrogativa e imperativa); Tipo de informação (informação nova e informação dada); Tipo de texto (argumentativo, narrativo, expositivo, instrucional e descritivo); Posição na sentença (começo de período e entre orações); Marcador discursivo (presença e ausência), Paralelismo linguístico (isolado, primeiro da série, não primeiro da série precedido de mas, não primeiro da série precedido de só que, não primeiro da série precedido de aí, não primeiro da série precedido de e, não primeiro da série precedido de assindética, não primeiro da série precedido de e aí, não primeiro da série precedido de agora e não primeiro da série precedido de só). Por fim, foram encontrados 73,7% (645/875) dos dados com a ocorrência da variante mas; 9,9% (87/875) com a ocorrência de só que; 7,3% (64/875) com a ocorrência de e; 3,9% (34/875) com a ocorrência de aí; 3,0% (26/875) com a ocorrência de agora) e 2,2% (19/875) com a ocorrência de assindética em contextos de adversatividade.