Variação e identidade linguística em Brasília: um estudo sobre o marcador discursivo interacional “VÉI”.
variação linguística; Sociolinguística Variacionista; marcador discursivo interacional; fala brasiliense; Distrito Federal.
Esta pesquisa investiga a variação entre as formas “véi” e “velho” no português falado no Distrito Federal, considerando os condicionamentos sociais, interacionais e linguísticos que atuam em sua ocorrência, bem como os processos de expansão funcional associados à forma “véi”. O estudo fundamenta-se nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista e parte da hipótese de que “véi” ultrapassa a condição de simples redução fonética de “velho”, apresentando usos relacionados à organização da interação e à construção de sentidos interpessoais. Os dados analisados integram o banco de fala organizado por Carolina Queiroz Andrade e vinculado ao Projeto Variação Linguística no Centro-Oeste (VALCO). O corpus é composto por 22 entrevistas provenientes das regiões administrativas de Vila Planalto e Sobradinho. Para a análise da variável investigada, foram selecionadas 16 entrevistas que apresentavam ocorrências das formas “véi” e “velho”, totalizando 525 ocorrências. Os dados foram codificados segundo variáveis sociais, interacionais e linguísticas e submetidos ao tratamento estatístico por meio do programa GoldVarb X. Os resultados evidenciam a predominância da variante “véi”, responsável por 93,7% das ocorrências analisadas. A forma mostrou-se recorrente em diferentes funções sintáticas e discursivas, especialmente como vocativo, intensificador, interjeição, sujeito, objeto e menção metalinguística, além de ocorrer em distintas posições no enunciado. Observou-se também maior frequência de uso entre adolescentes e jovens, bem como elevada produtividade em todos os níveis de escolaridade investigados. No plano interacional, os resultados indicam que “véi” desempenha papel relevante na construção de relações de proximidade e solidariedade entre os interlocutores, atuando como importante recurso de envolvimento discursivo. Em contraste, “velho” apresenta ocorrência reduzida e permanece mais associado a funções descritivas e lexicalmente estabilizadas. Conclui-se que a expressiva produtividade de “véi”, sua diversidade funcional e sua ampla circulação na fala brasiliense constituem indícios de expansão funcional da forma, reforçando sua relevância para a compreensão dos processos de variação e mudança linguística no português brasileiro e sua importância como marca identitária do falar do Distrito Federal.