Pronomes possessivos do português brasileiro (L2) na interlíngua de surdos falantes de Libras (L1
pronomes possessivos; Libras; Português Brasileiro; Aquisição de Segunda Língua
O presente estudo consiste na investigação da gramática de interlíngua (Selinker 1972 e Schwartz 1998), dos surdos falantes de Língua Brasileira de Sinais – Libras como primeira língua (L1) e aprendizes de português escrito como segunda língua (L2). O estudo examina o sistema pronominal de posse na produção escrita espontânea e semiestruturada, em contexto experimental, em que será testada metodologia de ensino de segunda língua para estudantes surdos. Tomamos por referência os pressupostos teóricos da Gramática Gerativa (Chomsky 1986, 1995, 2020) que dão o tratamento ao problema lógico da aquisição de língua, considerando a hipótese da Faculdade da Linguagem como um órgão inato da mente humana. O problema do estudo está formulado em relação à opcionalidade de padrões de estruturação dos textos dos surdos, que revelam um estado de interlíngua. A hipótese é a de que a aquisição se dá pelo acesso (parcial) à Gramática Universal (GU), cujo estado inicial é a L1 (White 2003). A opcionalidade observada nas estruturas da interlíngua é vista como própria do desenvolvimento linguístico o que depende do input relevante em relação às estruturas a serem adquiridas. Diante disso, dá-se relevância ao acesso ao input organizado por meio do ensino formal. O percurso metodológico da pesquisa está organiza-se em dois momentos. A primeira parte do experimento consta do levantamento, discussão e análise dos dados de interlíngua retirados da produção escrita de surdos disponível em Santana (2015). O segundo momento consiste de um estudo experimental com fases de pré-teste e pós-teste com uma intervenção de instrução intermediária a fim de verificar os resultados da aplicação da metodologia da Aprendizagem Linguística Ativa (Pilati, 2017), escolhida para ser testada no experimento. Assumindo a Hipótese do DP (Abney, 1987) e a proposta de Oyama (2025), quanto à estrutura dos possessivos no português brasileiro contemporâneo, o possuidor é gerado como argumento do nome (possuído) na projeção do núcleo de posse (Poss), que hospeda o traço interpretável [pessoa], ligando-se ao núcleo determinante (D) do sintagma determinante. Consideramos a assimetria entre 1ª e 2ª pessoas vs. 3ª pessoa reguladas pela especificação dos traços [± participante], que podem definir as condições para o contraste entre o licenciamento possessivos pronominais na 1ª e 2ª pessoas, em oposição aos possessivos preposcionais na 3ª pessoa.