MEMÓRIAS, IDENTIDADES E TERRITÓRIOS PERIFÉRICOS: DECOLONIZAR OS ESTUDOS DISCURSIVOS CRÍTICOS
Análise de Discurso Crítica. Pontos de Memória. Território de Memória. Representação dos atores sociais. Periferia.
Esta pesquisa surge por meio de reflexões que venho desenvolvendo, nos últimos anos, a respeito da memória como direito e seu despertar como vontade política por grupos socialmente excluídos de processos historiográficos oficiais. Tais reflexões são direcionadas para ações de ressignificação, que caracterizam a construção e a manutenção da memória individual, coletiva e social, e seus usos institucionais e comunitários. O trabalho com a memória, nas suas dimensões individual, coletiva e social, contribui no processo de construção de políticas públicas participativas voltadas para interseccionalidades de classe, raça/etnia e gênero. Dessa forma, as representações das relações discursivas dos atores sociais no processo de consolidação do Programa Pontos de Memória configuram-se como objeto de análise desta pesquisa, considerando as pessoas que atuam em suas instâncias como atores no processo de criação e consolidação, por meio do desejo de concretização do direito e vontade política de memória. Metodologicamente o corpus investigativo é constituído por narrativas e documentos da trajetória do Programa Pontos de Memória e sua configuração como política pública de memória social no Brasil. Desta maneira, acesso narrativas orais de vida de atores sociais de comunidades das cinco regiões do território brasileiro com atuação de Pontos de Memória, assim distribuídas: Ponto de Memória Museu do Taquaril, na cidade de Belo Horizonte – Minas Gerais; Ponto de Memória da Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, Rido Grande do Sul; Ponto de Memória da Estrutural, no Distrito Federal; Ponto de Memória Museu Cultura Periférica, na cidade de Maceió, em Alagoas e; Ponto de Memória da Terra Firme, em Belém do Pará. Apresento duas dimensões de pesquisas assim constituídas: a) As representações dos atores sociais em comunidades de atuação de Pontos de Memória e; b) As práticas institucionais na proposição de políticas públicas – Documentos formais. Essas dimensões são convergentes e caminham no estabelecimento de relações voltadas para a memória institucional e comunitária do Programa, os documentos formais institucionais e comunitários e sua configuração como política participativa em memória social. Proponho uma análise do meu objeto de investigação articulada com a Análise de Discurso Crítica, (CHOULIVRAKI; FAIRCLOUGH, 1999), (FAIRCLOUGH, 2003, 2016), bem como da representação e identificação dos atores sociais (VAN LEEUWEN, 1997, 2008) no processo de construção dasidentidades sociais (HALL 1997, 1998, 2000), (CASTELLS, 2003, 1999) por meio de expressões da memória (RICOEUR, 2007, 1995) e da noção de pertença territorial (SANTOS, 2005, 2002), (LEFEBVRE, 2008), (HARVEY, 2014) e o uso e a ressignificação da memória coletiva como instrumento de política de identidades presentes nas narrativas (ALBERTI, 2005), (MEIHY, 2010) dos atores sociais de comunidades de atuação de Pontos de Memória. Nesse sentido, o uso da linguagem é compreendido como prática social e ação historicamente situada, constituída socialmente por identidades, bem como pelas relações e os sistemas de conhecimentos, valores e crenças, uma vez que os discursos são materializados no campo social. O campo da memória social, coletiva e das configurações identitárias está sempre em disputa, nesse espaço de disputa que irá surgir a noção de pertença de moradores de comunidades periféricas que, por questões hegemônicas, tiveram suas lutas silenciadas, mas que, pelo reconhecimento da memória como uma vontade política, buscam novas estratégias de evidenciar essas memórias por meio de suas narrativas e da relação de pertencimento territorial.