A situação sociolinguística e de letramento em língua nheengatu dos professores e alunos das escolas indígenas do município de Manaus, Amazonas
Sociolinguística. Socioletramento. Ecossocioletramento. Educação escolar indígena
A Tese “A situação sociolinguística e de letramento em língua nheengatu dos professores e alunos das escolas indígenas do município de Manaus, Amazonas” resultou de uma pesquisa com os Baré, povo indígena que habita no Baixo Rio Negro, Manaus, no estado do Amazonas, falantes bilíngues de português brasileiro e língua indígena nheengatu pertencente ao Tronco Tupí Família Linguística Tupí-Guarani subconjunto III. A população do grupo Baré do Baixo Rio Negro é de 728 pessoas distribuídas por 3 comunidades Aru Waimí, Kunyatá Putira e Pisasú Sarusawa. O objetivo geral foi conhecer a situação sociolinguística e de letramento em língua Nheengatu dos professores e alunos indígenas, os fenômenos sociolinguísticos e de letramento social entre esse grupo de falantes, as competências e habilidades linguísticas da oralidade, da compreensão, da leitura e da escrita em Nheengatu aprendidas por meio da modalidade de educa ção escolar indígena oferecido pelas escolas indígenas existentes nas comunidades bilíngues do Baixo rio Negro, Manaus. A pesquisa é de cunho qualitativo, mas também é constituída de dados qanliquantitativos, tendo como base os estudos de Calvet (2002), La bov (2008), Tarallo (2003) e Paiva (2019). Também, apresenta uma etnografia participante e colaborativa a partir da abordagem comunicativa de Dell Hymes (1972), Hanks (2008) e Cabalzar (1998). Os dados foram gerados qualitativa e quantitativamente a partir de observações, entrevistas e aplicação de questionários sociolinguísticos, sendo que este visou a um estudo sociolinguístico e de letramento e foi adaptado de reflexões dos estudos de Bordoni-Ricardo (2004), Leffa (1988), Kleiman (1995), Soares (2003), Street, (2014) e Sousa (2021). O corpus investigado é composto de levantamento sociolinguístico e de letramento realizados com professores e estudantes Baré, das escolas indígenas municipais Aru Waimí, Kunyatá Putira e Puranga Pisasú. Destaco para análise da Sociolinguística teóricos como Calvet (2002); Bagno (2017); Labov (1972; 2008); Bortoni-Ricardo, (2005; 2011; 2014); Hamel (1988; 1989; 1991); Sousa (2006; 2013; 2014; 2021); Fishman (1972); Gumperz (1962); Crystal (1998); Gonçalves (2018. Para bilinguismo RCNEI (1998); Ferreira (2008) e Hamel (1981). Sobre Educação Escolar Indígena: Cabalzar (1998); Grupioni (2002, 2003; 2006); acerca dos Baré Curt Nimuendajú (1983); Cruz (2011); Herrero e Fernandes (2015). Letramento: Brian Street (2007, 2014), Roxane Rojo (2009), Kleiman (1995), Soares (2003) e Sousa (2021), dentre outros. Os resultados permitem afirmar que a Sociolinguística e o Letramento têm importantes contribuições para construção e viabilização de um Currículo Escolar Indígena que venha atender ao s anseios e necessidades do povo Baré do Baixo Rio Negro, assim como de elucidar os fenômenos sociolinguísticos e de ecossocioletramento que ocorrem nessas comunidades bilíngues, desde que os indígenas, professores e alunos sejam os principais mentores da proposta curricular da educação escolar indígena e acompanhem o processo de letramento e sua realização no contexto da realidade da educação escolar local.