Modais universais em textos científicos: subjetividade e argumentatividade no discurso científico
verbos modais universais; escrita acadêmica; subjetividade; argumentatividade
Esta pesquisa se propõe a investigar como a modalidade é utilizada, como estratégia argumentativa, no discurso científico, mais especificamente em dissertações de Mestrado. Nosso foco aqui são os verbos modais dever, ter de e ter que, que constituem modais universais, expressando necessidade, já que eles expressam um posicionamento mais evidente e um comprometimento maior do locutor com relação ao conteúdo do enunciado (NASCIMENTO, 2018). Além disso, o fato de ter sido escolhido o gênero dissertação de mestrado para o estudo é de grande relevância, já que esse gênero textual visa neutralidade e objetividade, características consideradas próprias do discurso científico. Em um primeiro momento, para este projeto de qualificação, será analisada a parte do texto referente à metodologia, pois, segundo Lakatos e Marconi (2003), o método de uma pesquisa “é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo - conhecimentos válidos e verdadeiros -, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.” (p. 83), o que faz com que a metodologia seja uma parte do texto que, por trazer uma sistematização do procedimento de investigação científica, traçando um caminho a ser seguido, seja entendida como mais objetiva. Segundo Coracini (1991), é sobretudo nos procedimentos metodológicos que “o sujeito-enunciador parece buscar meios linguísticos para se afastar, se ausentar” (p. 107). Espero, com isso, poder contribuir com os estudos acerca da modalidade e com o entendimento das estratégias de argumentatividade utilizadas nos gêneros textuais de caráter científico, a fim de possibilitar que estudantes e pesquisadores da pós-graduação entendam um pouco mais sobre o funcionamento da modalidade nesses gêneros e, assim, aprimorem suas habilidades referentes à escrita acadêmica.