O infinitivo flexionado na gramática do Português Brasileiro: questões sobre Língua-I e ensino
Infinitivo flexionado; Português Brasileiro; Língua-I; Gramática nuclear; Gramática periférica; Ensino
Nesta dissertação, abordamos a natureza do infinitivo flexionado na gramática do Português Brasileiro e apresentamos uma proposta didática para seu ensino. Baseando-nos nos pressupostos da Teoria Gerativa (Chomsky, 1965, 1981, 1986, 1995), caracterizamos o infinitivo flexionado como uma construção que integra a periferia da Língua-I dos falantes do Português Brasileiro (Moraes, 1971; Schaf Filho 2003; Pires; Rothman 2009). Em outras palavras, o infinitivo flexionado não é adquirido naturalmente pelos brasileiros a partir dos dados linguísticos primários a que ele tem acesso no processo de aquisição de língua. Sua aquisição vai acontecer no ambiente escolar por meio de ensino formal e explícito. Para o ensino do infinitivo flexionado, baseamo-nos nas propostas de Guerra Vicente e Pilati (2012); Oliveira e Quarezemin (2016); Medeiros Junior e Simioni (2022) e Foltran, Rodrigues e Lunguinho (2020), para quem o ponto de partida do ensino de gramática na escola deve ser a Língua-I que o aluno traz para a escola. Para o ensino do infinitivo flexionado propusemos uma estratégia didática dividida em cinco etapas: (Re)conhecendo a regra de concordância verbal; Tendo contato com a forma nominal de infinitivo; Fazendo concordância no/com o infinitivo; Conhecendo contextos de (não) flexão do infinitivo; Apreendendo o conteúdo. A primeira e a segunda etapas materializam a Língua-I dos estudantes e a trazem para o contexto do ensino do infinitivo flexionado como os conhecimentos linguísticos relevantes para o ensino do infinitivo flexionado. A terceira etapa une os conhecimentos mobilizados nas duas etapas anteriores. Ela é o momento de apresentar aos estudantes o infinitivo flexionado em si, um novo conhecimento. A quarta etapa traz os contextos de flexão do infinitivo do português. Nela, o aluno entra em contato com as tendências de variação do infinitivo português: flexão obrigatória, flexão opcional e flexão impossível. A quinta etapa é o momento de estudantes tomarem contato com o fenômeno mais de perto por meio de exercícios, os quais vão tanto abordar a forma gramatical como o seu conteúdo e seus efeitos de sentido. Ao fim dessas etapas didáticas, é possível que os estudantes consigam incorporar o infinitivo flexionado à sua Língua-I, expandindo-a.