O POVO DA ÁGUA: A EMERGÊNCIA DA LÍNGUA OMÁGUA-KAMBEBA DE SINAIS, UMA DESCRIÇÃO MULTIMODAL
Língua Omágua-Kambeba de Sinais. Indígenas Surdos. Discurso. Multimodalidade. Ressemiotização.
A presente pesquisa intitulada “O povo da água: a emergência da Língua Omágua-Kambeba de Sinais, um registro multimodal”, navega sobre o rio de um campo epistemológico em ascensão no cenário brasileiro nos últimos anos, o campo das Línguas de Sinais Indígenas, com destaque para os surdos do povo Omágua-Kambeba. A tese tem como objetivo principal descrever, de forma multimodal, os aspectos linguísticos da Língua Omágua-Kambeba de Sinais (LOKS), bem como compreender seu papel frente às práticas sociais e discursivas em que os indígenas surdos estão inseridos. Para isso, o trabalho possui os seguintes objetivos específicos: mapear os indígenas surdos da etnia Omágua-Kambeba de São Paulo de Olivença, Amazonas; identificar os sinais utilizados por surdos indígenas da etnia; compreender a constituição querológica e morfológica dos sinais; analisar as especificidades socioculturais da região e suas influências na ressemiotização dos sinais e; refletir sobre a necessidade da criação de políticas públicas que valorizem a identidade cultural e linguística dos indígenas surdos da etnia. Para a realização da pesquisa, foram utilizados os estudos sobre Análise de Discurso Crítica (ADC) de Fairclough (2003; 2016), Dijk (2018; 2020) e outros, sobre a Teoria da Multimodalidade de Leeuwen (2005), Kress e Leeuwen (2006), Kress (2010) e outros, sobre a Teoria da Ressemiotização de Iedema (2003) e outros e sobre línguas de sinais emergentes e indígenas de Fusellier-Souza (2004), Guen, Copolla e Safar (2020), Gomes e Vilhalva (2021) entre outros. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa. A geração dos dados teve cunho etnográfico, também foi utilizado como técnica a entrevista semiestruturada coletiva. A análise do corpus da pesquisa foi realizada por meio da seguinte triangulação teórica: a Análise de Discurso Crítica, a Teoria da Multimodalidade e a Teoria da Ressemiotização. Os dados apontam resultados que evidenciam a materialidade e a robustez do caráter linguístico da Língua Omágua-Kambeba de Sinais e, devido a sua natureza visual e espacial, a LOKS se constitui de forma multimodal em toda sua complexidade e nível linguístico. Além disso, essa língua se apresenta com papel fundamental para rupturas de práticas sociais excludentes e de silenciamento pela cultura hegemônica, possibilitando a representação e a (res)significação do mundo pelos indígenas surdos da etnia.