"Perspectivas na patobiologia e terapêutica da cromoblastomicose: investigando a heterogeneidade de isolados clínicos de Fonsecaea spp. e a suscetibilidade ao ebselen como um composto antifúngico alternativo"
Cromoblastomicose, Fonsecaea, Heterogeneidade fenotípica, Genômica comparativa, Ebselen, Célula Muriforme
Este trabalho teve como objetivo compreender a patobiologia da Cromoblastomicose (CBM), uma micose subcutânea que faz parte das Doenças Tropicais Negligenciadas listadas pela Organização Mundial da Saúde. A CBM é causada pela inoculação traumática na pele de fungos filamentosos demáceos na forma saprofítica, sendo o gênero Fonsecaea o principal agente etiológico, com Fonsecaea pedrosoi o maior responsável pelas infecções segundo os dados epidemiológicos. Foram sequenciados, montados, anotados e comparados 17 genomas de diferentes isolados de Fonsecaea pedrosoi, F. monophora e F. nubica provenientes de amostras humanas. As análises revelaram não apenas a diversidade genômica entre essas espécies, mas também explorou características fenotípicas como taxa de crescimento, produção de melanina, virulência, resistência a antifúngicos e estresse oxidativo, produção de conídios e produção de células muriformes. Além disso, verificou-se que, em meio indutor, todos os isolados apresentaram características morfológicas compatíveis com o dimorfismo para células muriformes, no entanto alguns isolados mostraram células tipicas da lesão, enquanto outros apresentaram pequenos aglomerados celulares. A secreção de melanina, a taxa de crescimento a 37°C e a resistência ao estresse oxidativo variaram conforme o isolado. No modelo de infecção in vivo dos isolados analisados, observou-se uma resposta imunológica diversificada, bem como diferenças no aspecto da lesão, produção de citocinas e carga fúngica. O grupo de camundongos que apresentou alta carga fúngica também secretou níveis elevados de IL-17. O conjunto de dados monstrou a heterogeneidade fenotípica e genotípica dos isolados clínicos, mesmo dentro da mesma espécie de Fonsecaea. O composto ebselen (2-fenil-1,2-benzisoselenazol-3(2H)-ona) foi avaliado contra células muriformes e conídios de isolados clínicos das três espécies de Fonsecaea e suas, que podem apresentar resistência aumentada aos medicamentos antifúngicos habituais. O ebselen mostrou-se ativo podendo se tornar uma estratégia alternativa de tratamento desta doença de difícil manejo. Ao relacionar variações genotípicas com características fenotípicas, espera-se evidenciar informações críticas que possam orientar o desenvolvimento de ferramentas diagnósticas, tratamentos e medidas preventivas mais eficazes para a cromoblastomicose