"Modulação enzimática do cocultivo de Trichoderma reesei RUT-C30 e Pleurotus citrinopileatus para bioconversão do bagaço de cana-de-açúcar"
biomassa lignocelulósica; cocultivo fúngico; enzimas lignocelulolíticas; manganês; biorrefinaria.
O bagaço de cana-de-açúcar é um resíduo agroindustrial abundante e uma matéria-prima promissora para a produção de açúcares fermentescíveis, biocombustíveis e outros produtos de valor agregado. Entretanto, sua conversão é limitada pela estrutura recalcitrante formada por celulose, hemiceluloses e lignina. Neste trabalho, foi avaliado o cocultivo de Trichoderma reesei RUT-C30 e Pleurotus citrinopileatus, buscando associar a capacidade hidrolítica de T. reesei ao potencial lignocelulolítico de P. citrinopileatus. Também foi investigado o efeito de moduladores sobre a produção de enzimas envolvidas na desconstrução da biomassa e sobre a capacidade dos secretomas de hidrolisar bagaço de cana-de-açúcar. Entre os compostos avaliados, o MnCl₂ apresentou os resultados mais promissores, promovendo aumentos seletivos nas atividades de CMCase, xilanase, mananase e pectinase. As atividades de βglicosidase, β-xilosidase, protease e lacase apresentaram respostas menos expressivas, indicando que o manganês modificou a composição funcional do secretoma, em vez de induzir igualmente todas as enzimas analisadas. Os demais moduladores produziram efeitos mais discretos ou inconsistentes. Os secretomas obtidos nos monocultivos e no cocultivo, com e sem MnCl₂, foram empregados na hidrólise de bagaço in natura e pré-tratado por organosolv durante 48 horas. A quantificação de celobiose, glicose e xilose demonstrou que o aumento de atividades enzimáticas específicas não resultou necessariamente em maior liberação de monossacarídeos. O acúmulo de celobiose sugere um desequilíbrio entre a despolimerização da celulose e sua conversão final em glicose. De modo semelhante, o aumento da xilanase pode não ter sido acompanhado por atividade de β-xilosidase suficiente para maximizar a liberação de xilose. O bagaço organosolv apresentou maior suscetibilidade à hidrólise, enquanto o cocultivo manteve capacidade hidrolítica comparável à de T. reesei, sem evidência conclusiva de sinergia na liberação dos açúcares avaliados. Os resultados demonstram o potencial do MnCl₂ como modulador seletivo da produção enzimática e ressaltam a importância do equilíbrio entre as diferentes atividades do secretoma. A integração entre cocultivo, modulação enzimática e hidrólise contribui para o desenvolvimento de coquetéis mais eficientes e para a valorização biotecnológica do bagaço de cana-de-açúcar, favorecendo sua conversão em açúcares, bioetanol e outros bioprodutos no contexto de biorrefinarias e da bioeconomia circular.