"ROTEIROS DE VISITAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA ATIVIDADES EXTRAMUROS EM ESPAÇO MUSEAL."
Educação não formal; Produto educativo; Museu de Ciências
O ensino de Biologia de qualidade exige a incorporação de metodologias ativas que estimulem o engajamento e a autonomia do estudante. Nesse cenário, as atividades extramuros em espaços não formais, como os museus de ciências, atuam como aliadas estratégicas da educação formal para a consolidação da alfabetização científica. Contudo, a articulação museu-escola frequentemente enfrenta entraves logísticos, burocráticos e lacunas na formação acadêmica inicial dos docentes. Este trabalho objetivou compreender como os roteiros de visitação podem contribuir para a formação continuada e autoformação de professores na utilização pedagógica de espaços não formais de educação. Para tanto, desenvolveu-se o "Roteiro de Visitação das Exposições de Longa Duração do MBio-UnB", um produto educacional estruturado e amarrado às competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), direcionado a docentes do Ensino Médio. A metodologia envolveu uma etapa de validação pela equipe do setor educativo do museu, refinamento técnico por especialistas em educação museal e posterior validação por pares, contando com a participação voluntária de 48 professores de Ciências e Biologia. Os dados quantitativos, coletados via questionário em escala Likert de 5 pontos, foram processados por meio de rotinas em Python. O instrumento demonstrou elevada consistência interna. A Análise de Componentes Principais (PCA) extraiu quatro dimensões latentes de utilidade (Pedagógica, Político-Burocrática, Autonomia e Design). Identificou-se uma forte correlação entre o planejamento pedagógico e o logístico, revelando que o roteiro cumpre um papel político essencial ao mitigar os impactos da intensificação do trabalho docente. Qualitativamente, as três questões abertas foram tratadas pela Análise de Conteúdo, categorizando a facilitação do planejamento didático como a principal potencialidade do material. Em contrapartida, os dados evidenciaram o ponto fraco do produto relacionado à insegurança docente na mediação de visitas autoguiadas e uma contradição prática na qual os professores sobrepunham semanticamente os conceitos de "roteiro" impresso e "percurso" físico das exposições. Conclui-se que os roteiros de visitação vinculados a diretrizes curriculares oficiais são ferramentas indispensáveis para fortalecer a parceria museu-escola, mas devem ser integrados a outras estratégias presenciais de formação docente para consolidar plenamente a autonomia e a segurança do professor em campo.