GÊNERO, DESIGUALDADE E A NÃO NEUTRALIDADE DA MOEDA:OS EFEITOS DISTRIBUTIVOS DA POLÍTICA MONETÁRIA EM PAÍSES SOB REGIME DE METAS DE INFLAÇÃO (2002-2022)
política monetária; desigualdade de gênero; regime de metas de inflação; não neutralidade da moeda; efeitos distributivos.
Esta tese investiga os efeitos distributivos da política monetária sobre a desigualdade de gênero
em 18 países que permaneceram continuamente sob o Regime de Metas de Inflação (RMI) entre
2002 e 2022. Ancorada na crítica heterodoxa à neutralidade da moeda e em diálogo com a
literatura feminista, a pesquisa examina os efeitos heterogêneos das decisões de política
monetária sobre as relações de gênero, partindo do entendimento de que tais decisões incidem
sobre estruturas econômicas e institucionais historicamente marcadas por desigualdades entre
homens e mulheres. Nessa perspectiva, o objetivo central consiste em analisar se a elevação da
taxa nominal de juros, principal instrumento operacional do RMI, contribui para a reprodução
ou o aprofundamento dessas assimetrias.
No plano teórico, o trabalho discute os fundamentos ortodoxos do RMI, a crítica pós-
keynesiana a esse regime e as articulações entre gênero, mercado de trabalho e desigualdade.
Além disso, apresenta uma revisão de escopo da literatura acerca dos efeitos distributivos da
política monetária, com ênfase na ainda incipiente produção dedicada ao recorte de gênero. No
plano empírico, adota-se uma abordagem quantitativa baseada em dados em painel balanceado
para 18 países. A variável dependente é o logaritmo do Índice de Desigualdade de Gênero (GII),
enquanto a variável explicativa de interesse corresponde à taxa de juros de política monetária.
As estimações são realizadas por meio dos métodos Feasible Generalized Least Squares
(FGLS) e Panel Corrected Standard Errors (PCSE).
Os resultados indicam uma associação positiva e robusta entre a elevação da taxa de juros e o
agravamento da desigualdade de gênero. Conclui-se, portanto, que a política monetária não é
neutra do ponto de vista distributivo e que seus efeitos extrapolam o controle inflacionário,
incidindo também sobre a reprodução de desigualdades estruturais entre homens e mulheres.