AUDITORIA INTERNA EM UM ÓRGÃO PÚBLICO BRASILEIRO: rede de atores, tensões e as externalidades geradas na governança institucional
Auditoria interna. Governança pública. Teoria Ator-Rede. Accountability.
O papel do controle e da auditoria interna na Governança Pública Contemporânea é frequentemente analisado sob abordagens estrutural-funcionais tradicionais. Dessa feita, a presente pesquisa deslocou esse olhar ao analisar, à luz da Teoria Ator-Rede, a rede de auditoria interna de um órgão público brasileiro, cujo objetivo geral consistiu em mapear os actantes humanos e não humanos da rede, descrevendo as tensões entre a rede inscrita e a rede performada, identificando as implicações geradas para a governança institucional. Metodologicamente, adotou-se um desenho de métodos mistos com dominância qualitativa via estudo de caso único e exploratório. Assim, triangularam-se dados de pesquisa documental, observação participante e aplicação de questionário (survey) segmentado entre auditores internos e gestores na condição de auditados. Os resultados revelaram que a auditoria interna não opera como mero mecanismo técnico neutro, mas como uma rede sociotécnica heterogênea, onde os aspectos de independência, centralidade e efetividade são efeitos de tradução performados e negociados na rede, e não atributos dados de antemão. Embora a rede seja robusta no plano das inscrições materiais, ela se estabiliza apenas em parte, uma vez que se mostra sólida na produção técnica, mas frágil na accountability interna e na capacidade de mobilizar o apoio estratégico da alta administração. Concluiu-se que é precisamente nessa fenda entre o que a rede inscreve e o que ela efetivamente performa que a promessa de geração de valor público e a aprendizagem institucional se realizam de forma apenas parcial e disputada.