Pelo espelho de Oxum: cartografias das masculinidades negras na Expansão do Setor-O, na Ceilândia- DF
Ceilândia. Cartografias de masculinidades negras. Corpo-território. Oxunismo
Este estudo propõe traçar uma cartografia das masculinidades negras de estudantes de escolas periféricas, localizadas na Expansão do Setor O – Ceilândia – situada em Brasília, no Distrito Federal. Como um grande rio subterrâneo, as trajetórias de jovens negros nessa periferia seguem invisibilizadas, mas carregam consigo histórias de desejo, potência e criação. Sendo uma mulher de terreiro e me reconhecendo na ancestralidade como filha de Oxum, a partir dessas águas reflito sobre como os fluxos das masculinidades negras são moldados por dispositivos de controle que operam pelo cisheteropatriarcado, produzindo um constante estado de desautorização do existir. Assim como um rio encontra resistência nas margens, mas continua a correr, as masculinidades negras reinventam-se e transbordam, mesmo diante da precarização da vida e da negação do direito ao futuro. Por meio da pesquisa de campo e ao reconhecer que “nossos passos vêm de longe” invoco as vozes de pensadoras feministas negras para dialogar com as narrativas de estudantes que decidiram evadir-se da escola, buscando compreender de que maneira a construção do que é ser um jovem negro na periferia de Brasília incide sobre o abandono escolar. Se o corpo é território, como nos ensina o oxunismo, então as águas da experiência negra estão constantemente sendo represadas, desviadas e, muitas vezes, secas pelo racismo estrutural e pelo Estado que decide quem merece transbordar e quem será reduzido à escassez. Para essa travessia que se dá a partir da margem, apoio-me nas contribuições de Achille Mbembe (2018), bellhooks (2019), Cida Bento (2022), Félix Guattari (1996), Gilles Deleuze (1996), Grada Kilomba (2019), Isildinha Baptista (2021), Mara ViverosVigoya (2018), Lélia Gonzalez (2020), Aline Rocha (2023)