“Cumpro medida socioeducativa, logo existo? – Os sentidos da fase de desvinculação da medida para adolescentes com benefício de saída sistemática no Distrito Federal”
socioeducação; desvinculação; subjetividade; colonialidade
A pesquisa pretende investigar os sentidos e percepções atribuídas por adolescentes e jovens à fase de desvinculação da medida socioeducativa de internação, tomando como campo empírico a Unidade de Internação de Saída Sistemática (UNISS), no Distrito Federal. Com abordagem prioritariamente qualitativa, articulada a entrevistas narrativas e análise documental, busca-se compreender como esses adolescentes interpretam o retorno progressivo ao convívio familiar, comunitário e social, bem como o significado atribuído aos processos educativos vivenciados durante a saída sistemática. O referencial teórico organiza-se em torno de três eixos centrais. O primeiro discute a produção histórica das infâncias e adolescências no Brasil, marcada pela relação entre desigualdades, controle institucional e permanências estruturais da colonialidade. O segundo analisa os marcos normativos da proteção integral, situando a socioeducação como política que tensiona, simultaneamente, direitos e práticas disciplinares. O terceiro eixo aborda a subjetividade enquanto construção atravessada por memória, trauma e racialização, tomando como fundamento interpretações críticas sobre como corpos juvenis negros são historicamente produzidos como alvo de vigilância. Apoiada na perspectiva de Grada Kilomba, a pesquisa compreende que a elaboração subjetiva desses adolescentes não pode ser dissociada das camadas coloniais que moldam suas trajetórias, suas possibilidades de fala e suas experiências com o Estado