BRANQUITUDE, PODER E RACISMO INSTITUCIONAL: A FORMAÇÃO PROFISSIONAL COMO ESTRATÉGIA DE ENFRENTAMENTO AO RACISMO NO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO DO DF
sistema socioeducativo; racismo institucional; branquitude; letramento racial; formação profissional.
O presente estudo tem por objetivo compreender o funcionamento da política institucional de formação profissional voltada para questões raciais no Sistema Socioeducativo do Distrito Federal. No Brasil, apesar do racismo estruturar a desigualdade e o funcionamento das instituições, sua análise é subalternizada em função da manutenção do poder nas mãos de pessoas brancas, o que Cida Bento (2022) conceituou como pacto da branquitude. Considerando que o sistema socioeducativo é herdeiro de doutrinas forjadas para manter a população negra em situação de subordinação, pressupõe-se que, em suas unidades de atendimento, o racismo institucional seja perpetuado através de modos de funcionamento, práticas, expectativas, discursos e silenciamentos cotidianos. Adotando-se a perspectiva de que processos de formação profissional em temáticas raciais e o desenvolvimento do letramento racial dos servidores são estratégias capazes de fazer frente ao racismo institucional, o presente estudo se propôs a analisar a situação atual da formação profissional dos servidores na temática racial através do levantamento e análise das ofertas institucionais de cursos na área e por meio de entrevistas com gestores responsáveis pela política de formação profissional. Os resultados evidenciam que a política de formação em questões raciais no sistema socioeducativo do DF ainda é incipiente, com ações pontuais, baixa carga horária e alcance restrito entre os servidores. Embora haja reconhecimento institucional da relevância do tema e iniciativas em desenvolvimento na Escola Distrital de Socioeducação, persistem entraves estruturais, orçamentários e culturais que limitam sua consolidação