Banca de DEFESA: NATÁLIA GONÇALVES LIMA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : NATÁLIA GONÇALVES LIMA
DATA : 27/03/2026
HORA: 10:00
LOCAL: Microsoft Teams
TÍTULO:

PPELO ESPELHO DE OXUM: PERFORMANCES DAS MASCULINIDADES NEGRAS NA EXPANSÃO DO SETOR O, NA CEILANDIA- DF


PALAVRAS-CHAVES:

Masculinidades negras; Abandono escolar; Oxungrafia; Corpo-território. Racismo estrutural.


PÁGINAS: 120
RESUMO:

Este estudo investiga as performances das masculinidades negras de jovens estudantes e ex-estudantes de escolas periféricas localizadas na Expansão do Setor O, em Ceilândia, no Distrito Federal, buscando compreender de que maneira os dispositivos raciais, de gênero e de classe incidem sobre o abandono escolar. A partir da Oxungrafia como método de análise, compreendida como um modo de ler as experiências a partir das águas, do espelho e do corpo-território, a pesquisa se ancora em entrevistas realizadas com jovens negros que permanecem na escola e com aqueles que evadiram, entendendo esses percursos como atravessados por relações de poder que produzem precarização da vida e desigual acesso ao futuro. Como um grande rio subterrâneo, as trajetórias desses jovens permanecem, em grande medida, invisibilizadas, embora carreguem histórias de dor, desejo, criação e reinvenção. Sendo uma mulher de terreiro e reconhecendo-me na ancestralidade como filha de Oxum, assumo uma posição de escuta situada, na qual o conhecimento emerge do encontro entre as águas da experiência, da memória e da palavra. As narrativas revelam masculinidades negras forjadas na encruzilhada entre raça, gênero, território e sexualidade, atravessadas por um tempo circular, no qual passado, presente e futuro se dobram continuamente. As entrevistas evidenciam como o cisheteropatriarcado racializado opera como regime de controle que desautoriza existências, especialmente aquelas que performam masculinidades dissidentes, cujos corpos escapam às normas da virilidade hegemônica. Em diálogo com Frantz Fanon (2020), essas experiências são compreendidas como efeitos de uma colonialidade que fragmenta o sujeito negro e produz tensões entre aquilo que se é, o que se espera que se seja e o que se pode vir a ser. Ainda assim, como rios que insistem em correr apesar das barragens, essas masculinidades reinventam-se e produzem brechas de existência. Ao compreender o corpo como território político, o estudo evidencia como o racismo estrutural e o Estado operam represamentos e secas simbólicas, decidindo quem pode transbordar e quem será condenado à escassez. Para essa travessia que se dá a partir da margem, o estudo dialoga com contribuições de Frantz Fanon (2020), bell hooks (2019), Grada Kilomba (2019), Lélia Gonzalez (2020), Mara Viveros Vigoya (2018), Cida Bento (2022), Isildinha Baptista (2021) e Aline Matos da Rocha (2023), compondo um campo teórico-metodológico comprometido com epistemologias negras, feministas e afrocentradas.


MEMBROS DA BANCA:
Externa ao Programa - 2829830 - ALINE MATOS DA ROCHA - nullExterno à Instituição - JULIO CÉSAR ROSA DE ARAÚJO - UFC
Interna - ***.869.671-** - NATALIA DE SOUZA DUARTE - UnB
Presidente - 1467761 - PAULO PETRONILIO CORREIA
Notícia cadastrada em: 20/03/2026 18:11
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