(RE)CRIANÇA.RTE E AS TECELAGENS DA INFÂNCIA EM TERREIROS DE MATRIZ AFRICANA
Infâncias afrodescendentes, Terreiros de matriz africana, Ancestralidade,
Pedagogias de terreiro, Escrevivência
A formação da identidade afrodescendente no Brasil é um processo complexo,
permeado por tensões entre a valorização da ancestralidade e o racismo estrutural. Esta pesquisa
qualitativa, de inspiração etnográfica, investiga como as pedagogias de terreiro influenciam a
construção identitária das crianças. O objetivo central é compreender esses processos analisando
o terreiro como território de potência e a criança como mestra do porvir. A investigação foca
nas interações cotidianas e na transmissão de saberes por meio da oralidade e do gesto. A
metodologia baseia-se na observação participante e em entrevistas semiestruturadas com
lideranças religiosas e responsáveis. Busca-se apreender o papel da criança na dinâmica
comunitária e como o espaço é planejado para fortalecer o pertencimento. O olhar volta-se para
o brincar racializado e a presença da ancestralidade em um tempo espiralar. O referencial teórico
articula contribuições de Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, Sueli Carneiro, Estela Caputo, Nêgo
Bispo e Luiz Rufino. Espera-se contribuir para o reconhecimento dos terreiros como espaços
educativos legítimos e para o fortalecimento da autoestima infantil.