A HIERARQUIA DE PODER ENTRE MÉDICOS DE DIFERENTES NÍVEIS DE ATENÇÃO AOS PACIENTES COM DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS: UM PROBLEMA BIOÉTICO
Poder psicológico; Hierarquia social; Relação médico-paciente; Bioética de Intervenção; Doenças crônicas não transmissíveis; Decolonialidade
Toda pessoa passa por situações de adoecimento ao longo da vida. Em tais momentos fica evidente a sua vulnerabilidade frente ao profissional de saúde. É o que ocorre, principalmente, no caso do portador de Doença Crônica Não Transmissível, a chamada “DCNT”. Devido ao aspecto crônico da enfermidade, e do poder do médico em auxiliar no cuidado com ela, o paciente recorre a este profissional de modo contínuo, o que acaba por gerar uma relação de dependência. Se ao menos algum grau de hierarquia de poder está presente na relação médico-paciente, mais ainda ela ocorre quando se trata das DCNTs. Além disso, a natureza crônica da doença, levando à necessidade de envolvimento de diferentes níveis assistenciais (atenção primária e atenção especializada), faz com que essa hierarquização de poder seja estendida à relação entre os próprios médicos destes diferentes níveis, que deveriam trabalhar em conjunto para um cuidado coordenado, contínuo e adequado ao doente crônico. Essa tipo de relação poucas vezes é percebido pelo paciente, pelo médico da Atenção Primária à Saúde – APS ou pelo especialista. Quando notada, dificilmente é revelada por eles ou pela literatura. O objetivo geral do trabalho é dar visibilidade a tais situações enquanto relações de poder vivenciadas entre as especialidades médicas de diferentes níveis assistenciais. Visa também o seu reconhecimento enquanto preocupação bioética, dado o potencial que tem de influenciar negativamente na saúde dos pacientes em razão fragilização da coordenação do cuidado. O trabalho resulta de pesquisa teórica exploratória, e qualitativa, que utiliza fontes bibliográficas e documentais, pesquisas exploratórias, qualitativas, analisadas sob a perspectiva teórica da Bioética de Intervenção trazida à lume por Garrafa, e dos estudos decoloniais, inaugurados por Quijano.