Engrenagens Poéticas: do mito fundador a reescritas insurgentes de Antígona
Mito; Texto fundador; Reescrita; Tradução de teatro; Antígona; Decolonialidade,
Crítica ao agronegócio.
Essa tese investiga a reescrita teatral enquanto prática fundamental e inesgotável,
sempre atravessada pela diferença, enquanto gesto de repetição para a atualização de
textos dramáticos, visando ou não sua encenação. Partindo das tragédias gregas e de
seus desdobramentos ao longo do tempo, a pesquisa propõe, no Capítulo 1, a
consolidação do conceito de “reescrita” em diálogo direto com os estudos da
dramaturgia, substituindo a noção de “original” pela de “texto fundador” e oferece um
glossário contendo sete operações possíveis de serem mobilizadas na passagem entre
o texto fundador e suas reescritas, quais sejam: ampliação, colagem, contração,
deslocamento, dissolução, tradução-exu e transcriação. No capítulo 2, o trabalho
analisa diferentes reescritas da Antígona de Sófocles, exemplificando as operações
mapeadas no Capítulo 1 através das obras de Jean Cocteau, Jean Anouilh, Bertold
Brecht, Leopoldo Marechal, Griselda Gambaro, Millôr Fernandes, Anne Carson,
Trajano Vieira, Slavoj Zizek e Renata Carvalho. Cada uma das sete operações é
descrita e exemplificada através da comparação de cenas entre duas ou várias
reescritas de Antígona. O terceiro capítulo apresenta uma reflexão sobre
epistemologias decoloniais com especial atenção à obra Antígona Kuêgü, de Daniel
Massa. Nessa reescrita, o autor reinscreve a tragédia no contexto do Vale do Xingu,
articulando questões indígenas, decoloniais e necropolíticas com o avanço predatório
do agronegócio no Brasil. Ao valorizar a reescrita como engrenagem poética que
move o teatro entre mito, texto e cena, esta pesquisa busca oferecer um modelo
analítico que contribua para os estudos da dramaturgia e da tradução teatral,
reconhecendo, no gesto de reescrever, para além de um exercício crítico fundamental,
um espaço de invenção, de criação e de insurgência