Considerações sobre silêncio, fala, canto e glossolalia na arte da palhaçaria
palhaço; voz; silêncio; fala; canto; glossolalia.
Esta tese investiga a vocalidade na arte da palhaçaria com ênfase no silêncio, na fala, no canto e na glossolalia. Discute aspectos estéticos, históricos e conceituais das manifestações da vocalidade mapeadas na pesquisa, descritas acima, considerando o repertório cômico de palhaços, seus processos composicionais e de recepção e produção de sentido. O estado da arte da pesquisa, o levantamento bibliográfico e o esboço de um mapa conceitual das sonoridades na palhaçaria constituem as ferramentas metodológicas utilizadas. São enfatizados palhaços em trabalhos solos e em dupla, que têm como uma de suas bases ou a própria base, as manifestações da vocalidade abordadas na tese. Alguns mobilizadores da pesquisa são: os estereótipos vocais, a voz infantilizada na palhaçaria e os parâmetros do som. Foram observados também alguns tipos de palhaços que usam a palavra falada: os palhaços-tribunos, palhaços brincantes e palhaços falantes. O termo glossolalia clownesca é um termo guarda-chuva para se referir a palhaços que trabalham com a comicidade de sons não-verbais em um contexto teatral. A comicidade de palavras, por intermédio do trocadilho e do duplo sentido, a tagarelice, o grammelot, a desafinação e a paródiasão recursos cômicos destacados e analisados. As entradas e reprises também são um recurso cômico, cenas curtas e dialogadas, vinculadas ao circo. Propõe-se, ao final da tese, um glossário de sonoridades na palhaçaria com verbetes oriundos da pesquisa. Os resultados da tese apontam para relações intrínsecas entre a palhaçaria e os sons ao longo dos tempos e na contemporaneidade, em diversos contextos; além da multiplicidade estética da vocalidade no âmbito da palhaçaria.