DRAMATURGIAS ENSAÍSTICAS: o ensaio como escrita do corpo
Ensaio. Circo. Dramaturgia ensaística. Processos de criação. Poéticas cênicas.
Nesta tese investigamos o ensaio como método de criação de dramaturgia, a partir da coincidência, em português, entre as palavras ensaio no âmbito literário, forma de pensamento que se escreve em processo, e cênico, tempo-espaço de repetição e criação. Partimos da afirmação de que um corpo é radicalmente um corpo quando está em risco e perguntamos como os ensaios podem articular corpo e escrita no processo de criação e, consequentemente, na cena. Abraçamos a Prática como Pesquisa e adotamos o ensaísmo como método e como forma: o texto se organiza em fragmentos e opera, na própria escrita, os procedimentos de composição, montagem, combinação e edição, já investigados no contexto laboratorial. O percurso parte da experiência da autora como artista do coletivo circense Instrumento de Ver e como psicanalista. A psicanálise de Freud e Lacan nos serviu como lente epistemológica para pensar a subjetividade como acontecimento de corpo e linguagem, em diálogo com os estudos da performance e com a tradição do ensaio literário e filosófico. Sustentamos que o risco físico endereçado, central à poética circense, produz uma expansão do corpo e, a partir da noção do truque, estabelece um jogo com a noção de verdade, mentira, ilusão e realidade. Investigamos como procedimentos da escrita e das poéticas cênicas, mais particularmente poéticas circenses, em sua relação com o pensamento ensaístico, resulta no que nomeamos dramaturgia ensaística. Experimentamos os procedimentos no laboratório Ensaios sobre Cena, Corpo e Escrita, realizado em Brasília em 2025 com cinco artistas e apresentados em ensaio aberto, de onde resultaram cenas, textos e um podcast, analisados na tese.