DETECÇÃO DA PREVALÊNCIA DE SOROLOGIA POSITIVA PARA DOENÇA DE CHAGAS EM PACIENTES COM PSORÍASE E/OU ARTRITE PSORIÁSICA NO DISTRITO FEDERAL
psoríase, artrite psoriásica, Trypanosoma cruzi, doença de Chagas, imunossupressão, sorologia
Resumo em português: A doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, permanece como importante problema de saúde pública nas Américas, com impacto significativo em países latino-americanos, incluindo o Brasil. Em paralelo, a psoríase e a artrite psoriásica são doenças imunomediadas crônicas que frequentemente requerem o uso de terapias imunossupressoras ou imunomoduladoras em seu tratamento. A coexistência de condições imunomediadas e infecção por T. cruzi pode representar um desafio clínico. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo determinar a prevalência de sorologia positiva para T. cruzi em participantes com psoríase e/ou artrite psoriásica atendidos no Hospital Universitário de Brasília/UnB, bem como avaliar fatores clínicos, laboratoriais e terapêuticos associados. Trata-se de um estudo transversal, que incluiu 182 indivíduos em seguimento ambulatorial, com diagnóstico confirmado de psoríase ou artrite psoriásica e em uso de imunossupressores. Todos os participantes foram submetidos à triagem sorológica por ensaio imunoenzimático (ELISA IgG). Os participantes positivos no teste de triagem foram submetidos ao exame confirmatório para T. cruzi com a combinação dos testes de ELISA IgG e hemaglutinação indireta (HAI). Os indivíduos avaliados eram majoritariamente do sexo masculino, brancos, de meia-idade, não tabagistas e não etilistas. Do ponto de vista clínico, predominou a forma vulgar da psoríase, com longa duração e baixo comprometimento cutâneo, conforme demonstrado pelos baixos escores medianos de PASI, DLQI e NAPSI. Observou-se elevada prevalência de manifestações articulares, sendo a artrite psoriásica a principal condição reumatológica associada. Em relação ao tratamento, o metotrexato e os agentes anti-TNF foram os fármacos mais utilizados. Quanto à triagem sorológica para T. cruzi, 7,7% (n = 14/182) apresentaram positividade no teste ELISA IgG, e 3,3% (n = 6/182) mantiveram resultado reagente nos testes confirmatórios, dos quais três apresentaram manifestações cardíacas compatíveis com doença de Chagas. A prevalência de 3,3% é superior ao valor estimado para a população geral brasileira, que é entre 1,0% e 2,4%. A análise dos dados sugere a importância da incorporação do rastreamento sorológico para T. cruzi em protocolos de manejo de pacientes com doenças autoimunes tratados com terapias imunossupressoras em regiões endêmicas ou de risco. O diagnóstico prévio da infecção chagásica permite o monitoramento clínico e laboratorial adequado e orienta a escolha terapêutica mais segura.