Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA ELVIRA RIBEIRO CORDEIRO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA ELVIRA RIBEIRO CORDEIRO
DATA : 15/12/2025
HORA: 08:00
LOCAL: Plataforma Teams
TÍTULO:

Caracterização Molecular de Tumores Renais Pediátricos por Sequenciamento de Nova Geração e Biópsia Líquida por Citometria de Fluxo: Implicações para Diagnóstico, Biologia Tumoral e Desfechos Clínicos


PALAVRAS-CHAVES:

Tumores Renais Pediátricos; Sequenciamento de Nova Geração; Blended Genome Exome; RNA Exome; Biópsia Líquida


PÁGINAS: 61
RESUMO:

Introdução: Os tumores renais pediátricos correspondem a cerca de 5% de todos os cânceres infantis. O Tumor de Wilms (TW) é o subtipo mais comum, responsável por aproximadamente 90% dos casos, enquanto o tumor rabdoide maligno do rim (TRMR), o sarcoma de células claras do rim (SCCR), o nefroma mesoblástico congênito (NMC) e o carcinoma de células renais (CCR) são menos frequentes (tumores não-Wilms). Embora a maioria dos casos de TW apresente bom prognóstico, parte dos pacientes ainda evolui de forma desfavorável (30%). Nos tumores não-Wilms, o prognóstico tende a ser mais reservado e a caracterização molecular ainda é escassa. Assim, a incorporação de tecnologias de análises moleculares e celulares é fundamental para identificar marcadores prognósticos e potenciais alvos terapêuticos, bem como monitorar a resposta ao tratamento, elementos essenciais para uma melhor estratificação dos pacientes e para orientação de decisões terapêuticas mais assertivas. Objetivo: Caracterizar uma coorte de tumores renais pediátricos, integrando dados genômicos, transcriptômicos e imunofenotípicos para identificar padrões biológicos relevantes ao diagnóstico, à biologia tumoral e aos desfechos clínicos. Metodologia: Serão analisadas amostras de fragmentos tumorais, fragmentos renais adjacentes e de urina de 60 pacientes com tumores renais atendidos no Hospital da Criança de Brasília José Alencar. O estudo abordará sequenciamento de DNA pelo protocolo Blended Genome-Exome (BGE), sequenciamento de RNA por captura híbrida (Exoma de RNA) e biópsia líquida em urina por Citometria de Fluxo. Os dados clínicos e anatomopatológicos dos pacientes serão integrados aos resultados moleculares e imunofenotípicos, possibilitando análises descritivas e estatísticas. Resultados: Foram incluídos 43 pacientes, a maioria diagnosticada com TW (81,39%; 35), seguidos por SCCR (6,98%; 3), NMC (4,65%; 2), CCR (2,32%; 1) e TRMR (2,32%; 1). A distribuição entre os sexos foi de 55,81% (24) masculino e 44,18% (19) feminino. A idade ao diagnóstico variou de 9 meses a 9 anos (mediana: 3 anos). Entre esses pacientes, 6,97% (3) evoluíram com recidivas e uma paciente ao óbito (2,32%). Os resultados ainda são preliminares e refletem a fase de validação das técnicas, motivo pelo qual ainda não permitem inferências biológicas robustas. Como etapa essencial do processo, o método de extração de DNA e RNA foi padronizado, resultando em amostras adequadas para o preparo de bibliotecas e sequenciamento. O BGE foi testado em 4 amostras e possibilitou a detecção de alterações no número de cópias (CNAs), incluindo alterações envolvendo segmentos e/ou braços dos cromossomos 1, 6, 9, 11, 12, 13, 16, 18, 20 e X em TW e deleção em segmentos do Chr22, abrangendo CHEK2 e SMARCB1 no TRMR. O método mostrou-se viável, mas ainda requer refinamento nos parâmetros de cobertura para otimizar a detecção de variantes de nucleotídeo único (SNVs) e pequenas inserções ou deleções (indels). Algumas das CNAs identificadas pelo BGE foram concordantes com os achados previamente obtidos por (Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification) MLPA, utilizado como método ortogonal de validação. O Exoma de RNA foi aplicado a 7 amostras, permitindo a identificação de uma duplicação in tandem de ZNF503 em 3 delas, achado ainda não descrito e que passará por validação para garantir a confiabilidade e intepretação desse dado. O RNA-seq permitiu também a classificação tumoral baseada no perfil de expressão gênica pelo OTTER, a qual apresentou concordância com o diagnóstico histopatológico em 5 das 7 amostras analisadas. A biópsia líquida por citometria de fluxo utilizando o painel Solid Tumor Orientation Tube (STOT) foi aplicada tanto em amostras tumorais quanto urinárias, contudo, ainda demanda ajustes metodológicos para a padronização da análise em urina. Considerações finais: As próximas etapas incluem a conclusão do sequenciamento das amostras, a validação técnica dos métodos e a análise integrada dos dados clínicos e moleculares, permitindo ampliar a robustez das interpretações biológicas.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 2676451 - CIRO MARTINS GOMES
Interno - ***.569.241-** - RICARDO CAMARGO - HCB
Externa à Instituição - MARIANA CAMARGO MASCHIETTO - CIIHDDAB
Externo à Instituição - EMERSON CARRARO - UNICENTRO
Notícia cadastrada em: 11/12/2025 22:16
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