Reativação da doença de Chagas após transplante cardíaco: uma análise multimetodológica
doença de Chagas; Trypanosoma cruzi; Transplante Cardíaco; Infecção Latente; Terapia de Imunossupressão
Introdução: A reativação da doença de Chagas (RDC) após o transplante cardíaco permanece um desafio clínico relevante, especialmente em contextos de imunossupressão. Objetivo: Compreender a reativação da doença de Chagas após o transplante cardíaco com base em uma análise multimetodológica. Métodos: Foi realizada uma abordagem multimetodológica composta por: (1) estudo de coorte retrospectivo envolvendo 212 pacientes com doença de Chagas submetidos a transplante cardíaco entre 2007 e 2024, avaliando incidência de reativação, sobrevida e fatores associados à mortalidade; (2) revisão sistemática com metanálise de 20 estudos envolvendo 676 pacientes, sintetizando evidências sobre incidência, métodos diagnósticos e desfechos da RDC; e (3) relato de caso clínico ilustrando reativação com acometimento neurológico. Resultados: Na coorte, a reativação ocorreu em 28,7% dos pacientes, com mediana de 123 dias até a reativação; os métodos invasivos, especialmente biópsia endomiocárdica, foram os mais utilizados para diagnóstico. Não houve diferença significativa de sobrevida entre pacientes chagásicos com e sem reativação. A metanálise indicou proporção combinada de reativação de 32,5% (IC95%: 22,5–44,3%), com Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) como método diagnóstico mais frequente e manifestações clínicas variando de sintomas inespecíficos a arritmias e disfunção ventricular. O relato de caso destacou um episódio raro com acometimento neurológico e desfecho fatal, reforçando a complexidade clínica da RDC. Conclusão: A reativação da doença de Chagas é frequente após transplante cardíaco, acometendo cerca de um terço dos pacientes, mas não se associa a pior sobrevida. Estratégias de vigilância sistemática, incluindo métodos não invasivos, e padronização do manejo são essenciais para diagnóstico precoce e tratamento oportuno. Os achados reforçam a necessidade de diretrizes multicêntricas e estudos prospectivos para otimização da vigilância e protocolos terapêuticos. Uma vez que o acometimento e prevalência têm extrapolado países considerados endêmicos