Associação entre o tratamento medicamentoso para artrite reumatoide e a progressão da doença pulmonar intersticial: um estudo observacional, longitudinal, prospectivo e multicêntrico
Palavras chaves artrite reumatoide; doença pulmonar intersticial; fibrose pulmonar; medicamentos modificadores do curso da doença; progressão da doença.
A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória sistêmica crônica que pode cursar com manifestações extra-articulares, dentre as quais a doença pulmonar intersticial associada à artrite reumatoide (DPI-AR) se destaca pelo impacto prognóstico e elevada morbimortalidade. A DPI-AR apresenta curso clínico heterogêneo, podendo evoluir com progressão funcional e radiológica, especialmente em indivíduos com padrão fibrótico. Apesar dos avanços no tratamento da AR com medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD), o efeito dessas terapias sobre a progressão da DPI-AR permanece controverso, com evidências ainda limitadas e heterogêneas. O presente estudo tem como objetivo investigar a associação entre o tratamento farmacológico da artrite reumatoide — incluindo MMCD sintéticos convencionais, biológicos e alvo-específicos — e a progressão da DPI-AR, avaliada de forma funcional, radiológica e integrada. Trata-se de um estudo observacional, longitudinal, prospectivo e multicêntrico, constituindo uma análise planejada do estudo BERTHA. Foram incluídos pacientes adultos com diagnóstico de AR, de acordo com os critérios classificatórios ACR/EULAR 2010, e diagnóstico confirmado de DPI-AR, acompanhados por até 24 meses. A progressão da doença pulmonar foi avaliada por meio da variação da capacidade vital forçada (CVF), da capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO), de parâmetros do teste de caminhada de seis minutos, de escores de dispneia e qualidade de vida, bem como de achados tomográficos em tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR). Resultados parciais demonstraram elevada frequência de fibrose pulmonar, predominantemente em padrões distintos da pneumonia intersticial usual, associada a maior idade e pior desempenho funcional. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quanto à atividade articular, títulos de autoanticorpos ou biomarcadores séricos avaliados. Os achados preliminares reforçam a complexidade da DPI-AR e a necessidade de estudos longitudinais que avaliem, de forma sistemática, o impacto dos diferentes esquemas terapêuticos da AR sobre a progressão da doença pulmonar, contribuindo para o aprimoramento da tomada de decisão clínica nesse contexto.