Mapeamento das características dos programas de harmonização vocal e comunicativa de mulheres trans: uma revisão de escopo
Mulher transgênero; Comunicação; Voz; Treinamento Vocal
Objetivo: mapear os alvos e os ingredientes utilizados por terapeutas vocais em programas de harmonização vocal e comunicativa para mulheres transgênero. Métodos: Revisão de escopo conduzida de acordo com a metodologia do Joanna Briggs Institute (JBI), registrada no Open Science Framework (OSF) e reportada segundo o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR). A busca, sem restrição de idioma ou data, incluiu as bases LILACS, Medline, EMBASE, Web of Science, Scopus e Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), além de literatura cinzenta (ProQuest Dissertations and Theses, MedRxiv e Google Scholar), mapeamento de citações e referências e consulta a especialistas. Foram incluídos estudos com mulheres transgênero com idade ≥18 anos submetidas a treinamentos fonoaudiológicos em voz e comunicação. Dois revisores independentes e cegos realizaram a seleção e a extração de dados. Foram extraídas informações referentes às características dos estudos, da amostra e dos programas de harmonização vocal e comunicativa, classificados segundo o Sistema de Especificação do Tratamento de Reabilitação em Voz (SETR-Voz). A análise foi descritiva. Resultados: Foram identificados 1.908 registros, dos quais 35 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade. Predominaram estudos conduzidos nos Estados Unidos (28,6%), publicados em 2024 (22,9%) e no periódico Journal of Voice (37,1%). A média de participantes foi de 22,34 indivíduos por estudo. A maioria dos estudos incluiu participantes em uso de terapia hormonal de afirmação de gênero (31,4%), sem cirurgia prévia de feminização vocal (65,7%) e sem programa de harmonização vocal prévio (60%). Os programas foram predominantemente tradicionais, presenciais e individuais, realizados semanalmente, com média de 12,49 sessões, e ausência de follow-up em 54,3% dos estudos. Os alvos mais frequentes foram função vocal (94,3%), função de fala e comunicação (88,6%) e pedagogia e aconselhamento (80,0%). Os ingredientes mais recorrentes foram métodos de ressonância (88,6%), orientação e aconselhamento (80,0%), técnicas de modificação de pitch e loudness (77,1%) e exercícios articulatórios (71,4%). Conclusão: Os programas de harmonização vocal e comunicativa para mulheres trans priorizam alvos relacionados à voz e à comunicação; entretanto, os ingredientes empregados concentram-se majoritariamente em ajustes vocais, enquanto componentes específicos da comunicação global permanecem menos explorados, indicando a necessidade de ampliação do escopo das intervenções.