Correlação entre os achados de tomografia computadorizada e da laparoscopia para diagnóstico de doença peritoneal no câncer gástrico
De câncer gástrico, laparoscopia, tomografia computadorizada, diagnóstico por imagem, carcinomatose peritoneal.
Introdução: A taxa de realização da laparoscopia diagnóstica para o estadiamento do câncer gástrico permanece baixa globalmente, apesar de sua consolidação. Além disso, as limitações da tomografia computadorizada na avaliação do peritônio mantêm a incidência de carcinomatose peritoneal oculta inalterada. Ambas resultam na falta de tratamento oncológico adequado para os pacientes. Objetivo: avaliar a correlação entre os achados de carcinomatose peritoneal da tomografia computadorizada e da laparoscopia diagnóstica de estadiamento em pacientes com câncer gástrico. Método: análise retrospectiva de prontuários médicos de 54 pacientes, advindos de uma coorte prospectiva iniciada em 2020, submetidos à tomografia e laparoscopia. Foram avaliados dados relevantes dos pacientes quanto à presença de carcinomatose peritoneal, como estadiamento do tumor, envolvimento linfonodal, tipo histológico e localização, além de elementos demográficos basais. Medidas de sensibilidade, especificidade, falso negativo, falso positivo e acurácia, com os respectivos intervalos de 95 % de confiança, foram calculadas de forma a estimar a qualidade dos resultados da tomografia computadorizada em avaliar os pacientes com ou sem carcinomatose diagnosticados por laparoscopia. As associações de variáveis demográficas e clínicas com a ocorrência ou não de carcinomatose por laparoscopia foram realizadas empregando-se o teste de Qui-quadrado ou exato de Fisher. A concordância entre os métodos foi avaliada pela medida de Kappa simples. Resultados: a prevalência de carcinomatose diagnosticada pela laparoscopia foi de 33,33% e pela tomografia de 24,07%. A tomografia apresentou 33% de sensibilidade, 81% de especificidade, acurácia de 65% e concordância baixa, de apenas 15%. A taxa de carcinomatose peritoneal oculta foi de 66,67%. Vinte pacientes, 37% da amostra estudada, tiveram mudança de conduta após a realização da laparoscopia. Quando realizada a análise multivariada de variáveis demográficas e clínicas, não foi encontrado fator significante quanto à presença de carcinomatose peritoneal. Conclusão: A amostra estudada não demonstrou correlação ente ambas as técnicas, assim a realização da laparoscopia diagnóstica de estadiamento é imprescindível para todo paciente candidato à neoadjuvância e cirurgia curativa.