AVALIAÇÃO DO EFEITO DA TERAPIA HORMONAL NOS PARÂMETROS HEMATOLÓGICOS DE MULHERES MENOPAUSADAS E COM COMORBIDADES
Diabetes.
Hipertensão arterial.
Perfil epidemiológico.
Perfil clínico.
Perfil hematológico.
Perfil bioquímico.
Introdução: A menopausa é um marco biológico do envelhecimento feminino, caracterizada pelo esgotamento da reserva ovariana, queda progressiva dos estrogênios e instalação de um estado de hipoestrogenismo que repercute no sistema cardiovascular, metabólico, ósseo, nervoso e imunológico. A transição menopausal e o período pós-menopausa favorecem redistribuição de gordura para o compartimento visceral, piora do perfil lipídico, aumento da resistência à insulina e maior incidência de síndrome metabólica, ampliando a vulnerabilidade de mulheres, sobretudo daquelas com menopausa precoce, insuficiência ovariana prematura ou comorbidades como obesidade, hipertensão e diabetes. Nessa interseção entre hipoestrogenismo, envelhecimento ovariano e desregulação metabólica, a terapia hormonal da menopausa emerge como potencial moduladora dos sintomas vasomotores, metabolismo glicídico e lipídico, saúde óssea, função cognitiva e processos inflamatórios. Objetivos: Avaliar os perfis epidemiológicos, clínicos, hematológicos e bioquímicos de mulheres portadoras de comorbidades, antes e após a menopausa, submetidas ou não à terapia hormonal. Material e Métodos: Estudo clínico experimental, descritivo, comparativo, longitudinal, retrospectivo e prospectivo, conduzido com mulheres em pré e pós-menopausa, que foram distribuídas em grupos conforme faixa etária, estado menopausal, presença de comorbidades e uso ou não de terapia hormonal. Foram coletados dados epidemiológicos e clínicos, e obtidos exames hematológicos, bioquímicos, metabólicos e hormonais a partir de laboratórios de referência, tabulados e organizados para análise. A avaliação estatística foi realizada no GraphPad Prism® 5.0, com teste de normalidade (Kolmogorov–Smirnov) e comparação entre grupos por ANOVA ou Kruskal–Wallis, considerando p < 0,05. Resultados: Houve predominância de mulheres brancas, casadas, com alto nível de escolaridade e sem histórico de sedentarismo, tabagismo ou alcoolismo. As comorbidades mais frequentes foram obesidade, hipertensão arterial sistémica, diabetes mellitus tipo 2 e hipotiroidismo. Não foram observadas diferenças entre os grupos para a maioria dos parâmetros hematológicos. As mulheres com comorbidades apresentaram níveis elevados de glicose em jejum e hemoglobina glicada, independentemente do uso de terapia hormonal. Os níveis de ferritina foram mais elevados nos grupos pós-menopausa que não utilizavam terapia hormonal, enquanto a terapia hormonal foi associada a níveis reduzidos de ferritina. Observou-se aumento do hormônio paratireóideo e das transaminases hepáticas nos grupos pós-menopausa, bem como redução dos níveis de vitamina B12 em mulheres com comorbidades. Os níveis séricos de estradiol permaneceram reduzidos em todos os grupos pós-menopausa, mesmo entre aqueles que usavam terapia hormonal. Conclusão: O nosso estudo reforça a necessidade de uma abordagem estratificada para mulheres na menopausa, considerando a idade, o perfil metabólico, a presença de diabetes e a indicação prudente da terapia hormonal. Os resultados ampliam a nossa compreensão da relação entre menopausa, inflamação, metabolismo e imunossenescência, fornecendo suporte teórico para pesquisas futuras que explorem parâmetros inflamatórios e o papel modulador da terapia hormonal no risco cardiometabólico e nos mecanismos de interação entre o envelhecimento hormonal e a diabetes.