ÍNDICES DE RESISTÊNCIA ARTERIAL NO DOENTE CRÍTICO: CORRELAÇÃO COM MARCADORES DE PERFUSÃO TECIDUAL E PROGNÓSTICO CLÍNICO
Índice de resistência arterial; Choque séptico; Sangramento pós-operatório; Perfusão tecidual; Ultrassonografia Doppler; Terapia intensiva
Pacientes criticamente enfermos frequentemente apresentam distúrbios na regulação circulatória que comprometem a perfusão tecidual e contribuem para disfunção orgânica e mortalidade. Alterações na resistência vascular periférica e esplâncnica são centrais nessas anormalidades hemodinâmicas. A ultrassonografia Doppler à beira do leito tem se destacado como ferramenta não invasiva para avaliação hemodinâmica em tempo real. Este trabalho investigou a utilidade dos índices de resistência arterial radial (IRAR) e esplênica (IRAE) como marcadores de perfusão e gravidade clínica em doentes críticos em diferentes contextos fisiopatológicos. O estudo incluiu duas coortes prospectivas conduzidas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário de Brasília entre 2022 e 2024. Na coorte séptica (n = 143), o IRAR correlacionou-se significativamente com o lactato (r = 0,71; p < 0,0001), tempo de enchimento capilar (r = 0,67; p < 0,0001) e índice de perfusão periférica (r = –0,46; p < 0,0001), apresentando acurácia superior ao tempo de enchimento capilar para predizer a depuração do lactato (AUC 0,95 vs. 0,77; p < 0,0001). Na coorte pós-operatória (n = 41), o IRAE correlacionou-se negativamente com a hemoglobina e positivamente com o número de transfusões, apresentando AUC de 0,99 (ponto de corte ≥ 0,66; sensibilidade 97,5%; especificidade 100%) para prever transfusão significativa (≥ 2 unidades). Conclui-se que os índices de resistência arterial radial e esplênica se associam a marcadores clínicos e laboratoriais de hipoperfusão e gravidade, demonstrando potencial como parâmetros não invasivos e complementares na avaliação hemodinâmica do doente crítico.