IMPACTO FARMACOECONÔMICO DA INCORPORAÇÃO DE TERAPIAS ALVO PARA DOENÇAS INFLAMATÓRIAS CRÔNICAS DA PELE NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO: ANÁLISE DE CUSTOS INDIRETOS E REDUÇÃO DA DURAÇÃO DE LICENÇAS MÉDICAS NO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS)
Psoríase; Hidradenite Supurativa; Terapias Alvo; Farmacoeconomia; Custos Indiretos; Licenças Médicas; Epidemiologia.
Introdução: A psoríase e a hidradenite supurativa (HS) são doenças inflamatórias crônicas da pele que afetam milhões de indivíduos em idade produtiva, gerando impactos significativos na qualidade de vida, produtividade laboral e custos indiretos. O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro representa um modelo único para análise de inovações em saúde, especialmente no que concerne à incorporação de terapias alvo de alto custo, como os imunobiológicos e pequenas moléculas. Os ensaios clínicos controlados demonstram eficácia clínica, porém há escassez de dados reais sobre o impacto farmacoeconômico indireto dessas medicações. Objetivos: O presente projeto tem como objetivo avaliar o impacto da incorporação dessas terapias no SUS sobre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), considerando perspectivas epidemiológicas, clínicas e farmacoeconômicas. Métodos: Realizou-se estudos de coorte retrospectivos utilizando big data do INSS, obtidos via portal da Controladoria Geral da União. Análises estatísticas envolveram regressão linear generalizada (GLM) com função log-link e família gamma para custos; testes Log-rank e curvas Kaplan-Meier para sobrevida do desfecho retorno ao trabalho; e modelo de riscos proporcionais de Cox ajustado por covariáveis. Resultados: Para psoríase, o acesso a terapias para artrite psoriaisica (PsA) reduziu o benefício médio concedido em 22% (razão ajustada: 0,78; IC95%: 0,76-0,80), e terapias para psoríase reduziram o benefício médio concedido em 7% (razão ajustada: 0,93; IC95%: 0,90-0,96), com hazard ratios (HR) de 1,90 (IC95%: 1,82-2,00) e 1,63 (IC95%: 1,54-1,70) para cessação precoce de licenças, respectivamente. O gasto total foi de US$ 577.478.002,15, com redução significativa pós-incorporação. Para HS, observou-se diminuição de 29,78% nos custos após a implantação do adalimumabe no SUS (de US$ 518.676,05 em 2017-2019 para US$ 364.189,62 em 2020-2022), apesar do aumento de contribuintes no INSS (de 58 milhões para 61 milhões). Modelos preditivos estimaram subnotificação, com demanda real superior à observada. Conclusões: A incorporação de terapias alvo no SUS resultou em reduções substanciais na duração de licenças médicas e nos custos indiretos previdenciários, destacando benefícios farmacoeconômicos que superam os custos diretos iniciais. Esses achados reforçam a importância de integrar dados reais de custos indiretos em avaliações de tecnologias em saúde, especialmente em sistemas universais como o SUS, e sugerem implicações para políticas públicas em países em desenvolvimento. A tese contribui para o campo da epidemiologia econômica, propondo um modelo replicável para análise de impacto indireto em doenças crônicas, com potencial para guiar futuras incorporações terapêuticas.