Experiências de cuidado na atenção primária e quedas em idosos brasileiros: uma análise transversal do ELSI-Brasil.
idosos; quedas; atenção primária à saúde; pesquisa em serviços de saúde; multimorbidade; Brasil.
Introdução: As quedas entre idosos constituem um importante problema de saúde pública devido à sua elevada frequência e associação com desfechos adversos. A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel fundamental na prevenção e no cuidado à população idosa; entretanto, as evidências sobre a relação entre as experiências dos usuários na APS e a ocorrência de quedas ainda são limitadas. Métodos: Este estudo transversal utilizou dados da segunda onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil, 2019–2021). Foram incluídos indivíduos residentes na comunidade com idade igual ou superior a 60 anos. O desfecho foi a ocorrência autorreferida de quedas nos 12 meses anteriores à entrevista. As experiências na APS foram avaliadas por meio de um índice composto por 12 itens, abrangendo acesso de primeiro contato, longitudinalidade, comunicação e coordenação do cuidado, sendo analisadas segundo a ocorrência de quedas autorreferidas e a cobertura pela Estratégia Saúde da Família (ESF). Razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram estimados por regressão de Poisson com variância robusta. As covariáveis foram selecionadas a priori com base na literatura e incluídas simultaneamente nos modelos multivariados. Resultados: Um total de 6.866 indivíduos com 60 anos ou mais foi incluído na análise. Entre os participantes, 19,9% relataram pelo menos uma queda nos 12 meses anteriores. As quedas foram mais frequentes entre mulheres, indivíduos de faixas etárias mais avançadas e pessoas com pior estado de saúde, multimorbidade, polifarmácia e hospitalização recente. Os indivíduos que relataram quedas apresentaram escores ligeiramente mais elevados em algumas dimensões da experiência na APS, especialmente longitudinalidade, comunicação e coordenação do cuidado; contudo, as análises ajustadas não demonstraram associação estatisticamente significativa entre a experiência global na atenção primária e a ocorrência de quedas. Conclusão: Não foi observada associação significativa entre as experiências na APS e a ocorrência de quedas entre idosos brasileiros residentes na comunidade. Os achados sugerem que medidas globais de avaliação da APS baseadas na percepção dos usuários, amplamente centradas nas interações com profissionais médicos, podem não captar adequadamente a natureza multidimensional