Estudo ultraestrutural de Leishmania (Leishmania) amazonensis isolada de um caso de Leishmaniose Cutânea Difusa considerada resistente a tratamento.
microscopia eletrônica, resistência a drogas, rugosidade da membrana, leishmaniose, leishmaniose cutâneo difusa.
A L.(L.) amazonensis é, no Brasil, o principal agente da leishmaniose cutânea difusa (LCD), forma clínica recidivante, mutilante, de difícil controle terapêutico. Acredita-se que os fármacos reduzam a carga parasitária da infecção, mas que não haja suficiente resposta do hospedeiro por evasão da resposta imune aos parasitas. As alterações ultraestruturais induzidas por medicamentos como o miltefosine (Milt) sobre a Leishmania produzem modificações morfológicas externas e internas dos parasitas, tais como modificação da forma, do tamanho, além dos danos às organelas celulares e alterações na rugosidade da membrana celular dos parasitas. Objetivo: Comparar a morfologia ultraestrutural após tratamento com o Milt, de 3 cepas de L. (L.) amazonensis, uma considerada resistente, duas outras cepas não submetidas previamente a tratamento. Métodos: Foram usados 3 isolados de promastigotas de L. (L.) amazonensis: i) de paciente com LCD, tratado por mais de 15 anos sem resposta clínica e parasitológica de cura (MAB); ii) paciente com LCD nunca tratado (IOC); iii) originada de flebótomo (PH8). Resultados: As três amostras foram preparadas e comparadas através da microscopia eletrônica de varredura, de transmissão e de força atômica quanto à suscetibilidade ao Milt (CI50), em relação às alterações morfológicas e a rugosidade da membrana celular. A cepa MAB teve o CI50 mais elevado: 93,86 µM mostrando uma certa resistência à droga. Demonstrou-se através da microscopia eletrônica e de força atômica que houve alterações ultraestruturais, indicando sensibilidade à ação da droga Milt sobre todas as cepas de Leishmania, previamente tratadas ou não, sendo mais sensíveis as cepas PH8 e IOC. A cepa MAB parece ter demonstrado uma sinallização de maior resistência quando comparada às cepas mais sensíveis. Conclusão: A ME associada à MFA parece ser útil no estudo da interação de fármacos e na compreensão dos cenários de resistência da L. (L.) amazonensis.