USO DA TERMOGRAFIA NA AVALIAÇÃO DA OTITE MÉDIA INDUZIDA EM RATOS WISTAR – UM ESTUDO EXPERIMENTAL
Otite média aguda; Termografia; Emissões otoacústicas; Timpanometria; Ratos Wistar
Introdução: A otite média aguda (OMA) constitui uma das infecções mais frequentes da infância e, se não abordada adequadamente, pode acarretar complicações graves. Seu diagnóstico permanece desafiador, pelas manifestações clínicas inespecíficas na população pediátrica e principalmente pela resistência desses pacientes à realização da otoscopia, além da insegurança na prática clínica nos achados visualizados, o que motiva a busca por novas formas de diagnóstico complementar. A termografia, tecnologia capaz de adquirir e processar informação térmica de forma não invasiva e sem contato físico, apresenta potencial para identificação de processos inflamatórios por meio da detecção de alterações na temperatura da região ou do corpo estudado. Objetivo: Avaliar a capacidade da termografia em auxiliar no diagnóstico da otite média aguda induzida em ratos Wistar, comparando seus achados aos obtidos por otoscopia, emissões otoacústicas por produto de distorção (EOAPD) e timpanometria. Métodos: Estudo experimental realizado em 27 ratos Wistar machos (grupo controle n = 11; grupo otite n = 16). Devido ao óbito de um animal do grupo controle em D3, foram analisados 26 animais. 16 orelhas esquerdas foram induzidas a otite média aguda com inoculação transtimpânica de Streptococcus Pneumoniae. Os animais foram submetidos à avaliação basal e reavaliados nos dias 3, 7 e 11 após a inoculação, com uso da termografia, EOAPD, timpanometria e otoscopia. As imagens termográficas foram analisadas quanto às temperaturas mínima, máxima e média da região auricular. Ao término do experimento, animais foram submetidos à análise histológica. Os dados foram analisados por testes estatísticos, adotando-se um nível de significância de 5%. Resultados: O desenvolvimento da otite média foi confirmado pela otoscopia com otoscópio Heine e por micro-otoscopia com microscópio trinocular RF4, com visualização de membrana timpânica opaca e/ou abaulada, e presença de secreção purulenta e/ou otorreia. A distância entre a câmera termográfica e a orelha influenciou significativamente as temperaturas registradas, sendo estabelecida a distância de 20 cm como protocolo de aquisição das imagens e reforçando a importância da padronização para a captura das imagens. A temperatura média da região auricular de ratos saudáveis oscilou de 36,6 a 38,2 °C ao longo da pesquisa, e a temperatura média de orelhas induzidas à otite oscilou de 36,8 a 37,7 °C. Houve diferença estatística nas temperaturas captadas ao longo do experimento em ambos os grupos e orelhas, evidenciando grande variabilidade dessas temperaturas e a influência de fatores externos. Não houve diferença estatisticamente significativa ao comparar o grupo controle e o grupo otite, nem entre a orelha inoculada e a contralateral. Nas condições deste estudo, a termografia não foi capaz de auxiliar no diagnóstico da otite média aguda. A timpanometria com sonda de 226 Hz não evidenciou alterações significativas entre os grupos, nem curvas B como o esperado, resultado possivelmente relacionado à utilização de sonda de 226 Hz, dada a indisponibilidade do aparelho de 1000 Hz. Em contraste, as emissões otoacústicas apresentaram redução significativa da amplitude e da relação sinal/ruído exclusivamente nas orelhas inoculadas, achado compatível com o encontrado na otoscopia. Conclusão: Nas condições experimentais avaliadas, a termografia não demonstrou sensibilidade suficiente para auxiliar no diagnóstico da otite média aguda em ratos Wistar. A otoscopia permaneceu como o método diagnóstico mais confiável, e as emissões otoacústicas mostraram potencial como ferramenta complementar para esse diagnóstico. Os resultados também permitiram estabelecer recomendações metodológicas para futuras pesquisas envolvendo termografia em modelos experimentais de otite média