Associação entre diferentes títulos de fator reumatoide e o perfil clínico de pacientes com artrite reumatoide em condições de vida real no Brasil.
Artrite reumatoide; fator reumatoide; estudo transversal; progressão da doença; prognóstico
Contexto: O fator reumatoide (FR) desempenha papel importante na fisiopatologia da artrite reumatoide (AR), porém o impacto de diferentes títulos séricos permanece pouco estudado. Objetivo: Avaliar as associações entre diferentes títulos de FR e desfechos clínicos em AR na vida real. Métodos: Este estudo multicêntrico e transversal incluiu adultos que preenchiam os critérios ACR/EULAR (2010) para AR. Foram avaliados os títulos séricos de FR e características clínicas e epidemiológicas da população. Foram feitas análises bivariadas (teste t de Student e Qui-quadrado) e regressões logística e linear múltiplas. Resultados: Foram incluídos 1.097 participantes; 78,7% apresentavam FR positivo, sendo 56,2% com alto títulos (≥ 3× limite superior da normalidade). Os grupos com FR negativo e FR positivo em baixos títulos apresentaram desempenho semelhante em todos os desfechos clínicos, sendo posteriormente agrupados como grupo “não alto”. Altos títulos de FR (comparados ao grupo “não alto”) associaram-se ao uso de tabaco (razão de chances, odds ratio, OR [IC95%]: 2,04 [1,35 – 3,08]; p<0,001), a raça não branca (OR [IC95%]: 1,31 [1,03 – 1,67]; p=0,028) e a maior índice de massa corporal (diferença de médias [IC95%]: 0,69 [0,05 – 1,33] kg/m²; p=0,033). FR em altos títulos associou-se independentemente a maior atividade de doença (Clinical Disease Activity Index, CDAI, β=2,44 [0,89 – 3,99 ]; p=0,002), pior capacidade funcional (Health Assessment Questionnaire Disability Index, HAQ-DI, β=0,112 [0,018 – 0,205]; p=0,020), maior frequência de manifestações extra-articulares (OR 1,48 [1,09 – 2,00]; p=0,011), maior uso de corticosteroides (OR 1,53 [1,19 – 1,96]; p=0,001) e de medicamentos modificadores do curso da doença biológicos (MMCDb) (OR 1,41 [1,08 – 1,84]; p=0,011). Conclusão: Altos títulos de FR em AR de longa duração associaram-se a maior atividade de doença, pior funcionalidade física, maior frequência de manifestações extra-articulares e maior uso de corticosteroides e MMCDb. A comparação entre títulos altos e não altos de FR, em vez de positivo versus negativo, mostrou-se mais útil na avaliação dos efeitos clínicos do FR na AR. Essa abordagem deve ser considerada em estudos futuros sobre FR.