Morte e luto na Atenção Primária Prisional: sofrimentos por perdas reais e simbólicas de pessoas privadas de liberdade
Morte; Luto; Pessoas Privadas de Liberdade; Atenção Primária à Saúde; Saúde Prisional; Revisão de Escopo; Grupos Focais; Pesquisa Qualitativa.
Introdução: a morte, o luto e as perdas — reais e simbólicas — assumem particularidades profundas no contexto da privação de liberdade. O cárcere impõe uma sobreposição de privações que intensifica sentimentos de medo, desesperança e sofrimento existencial, tornando o espaço prisional um território singular para o estudo da finitude e do luto. A Atenção Primária à Saúde (APS) prisional, enquanto espaço privilegiado de cuidado integral, ocupa posição estratégica para acolher essas demandas, ainda que a produção científica sobre o tema permaneça escassa. Objetivos: mapear a literatura sobre morte, luto e perdas reais e simbólicas no contexto do encarceramento e da APS prisional (Etapa 1) e compreender as vivências e percepções de pessoas privadas de liberdade acerca de morte, luto e perdas reais e simbólicas no cenário da APS prisional (Etapa 2). Métodos: protocolo de pesquisa com desenho sequencial em duas etapas. A Etapa 1 consiste em uma síntese de evidências por meio de uma revisão de escopo (JBI/PRISMA-ScR), com busca em PubMed, Scopus, Cochrane, SciELO e LILACS, orientada pela pergunta "quais evidências científicas abordam morte, luto e perdas simbólicas na Atenção Primária Prisional?", estruturada segundo o mnemônico PCC (População, Conceito, Contexto). Os artigos selecionados serão categorizados e sintetizados descritivamente por temas emergentes, contemplando a caracterização dos estudos e o mapeamento de lacunas na literatura. A Etapa 2 compreende uma abordagem qualitativa por meio da realização de grupos focais com pessoas privadas de liberdade no Complexo Prisional do Distrito Federal, com observação participante, questionários iniciais e análise de conteúdo temática (Bardin/Atlas.ti). O recrutamento ocorre por convite aberto em grupos psicossociais já realizados nas UBSP, sem intermediação institucional, conforme determinação ética e legal. Considerações éticas: projeto aprovado pelo CEP/FEPECS (CAAE 93361525.9.0000.5553) e autorizado pela VEP/DF e pelo Ministério Público. O TCLE é lido e explicado coletivamente, com garantia de anonimato, voluntariedade e não prejuízo à execução penal.