Comportamentos do estilo de vida, transtorno por uso
de substâncias e saúde mental no estudante universitário.
Saúde Mental; Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias; Estudantes; Interseccionalidade; Análise Multinível;Iniquidades de Gênero
A vida universitária constitui uma
transição crítica marcada por elevada vulnerabilidade psicossocial.
Globalmente, um em cada cinco estudantes apresenta transtornos mentais no
período de um ano, sobressaindo-se quadros de ansiedade, depressão e uso
de substâncias, enquanto menos de 20% dos afetados recebem tratamento
adequado. Essas disparidades em saúde mental operam tanto em nível
individual quanto macrossocial. No plano individual, as posições sociais não
atuam de forma isolada: o entrelaçamento de gênero, raça/cor, orientação
sexual e vulnerabilidade socioeconômica intensifica o estresse de minoria e
modula o padrão de consumo de substâncias. No plano macrossocial,
desigualdades geopolíticas e assimetrias estruturais de gênero vigentes nos
diferentes países criam contextos desiguais de opressão e oportunidades que
impactam a saúde psíquica. Compreender esse cenário exige articular a
modelagem interseccional do risco comportamental à investigação ecológica
transnacional dos macrodeterminantes de gênero. Metodologia: Estudo
epidemiológico observacional e transversal estruturado em dois eixos analíticos
a partir da linha de base da Coorte UNILIFE-M. O Artigo 1 (Eixo Interseccional)
avaliará estudantes de 13 universidades brasileiras mediante a Análise
Multinível de Heterogeneidade Individual e Acurácia Discriminatória (MAIHDA)
Bayesiana via MCMC. Os indivíduos serão aninhados em 180 estratos
interseccionais (cruzamento de gênero, raça/cor, orientação sexual e renda)
para modelar o uso frequente de álcool e cannabis (ASSIST), mensurar a
acurácia discriminatória e o efeito contextual geral (VPC e AUC-ROC), avaliar a
proporção da variância explicada por efeitos aditivos (PCV), controlar o papel da sintomatologia depressiva (PHQ-9) e ansiosa (GAD-7) e identificar possíveis
sinergias não aditivas. O Artigo 2 (Eixo Geopolítico Transnacional) recorrerá a
uma abordagem multinível em duas etapas com a amostra feminina
internacional da Coorte UNILIFE-M. Estimar-se-á a média ajustada de sintomas
depressivos (PHQ-9) e ansiosos (GAD-7) das estudantes em cada país (Nível
1) e avaliar-se-á mediante meta-regressão de efeitos aleatórios (Nível 2) o
impacto ecológico dos índices nacionais de desigualdade de gênero (GII e
GGGI) sobre os níveis médios de sintomatologia entre os países.