A Abordagem do Sentirpensar na Educação Médica: uma proposta voltada aos Cuidados a partir de aprendizados na Atenção Primária à Saúde
Educação Médica; Decolonialidade; Corazonar; Sentirpensar; Atenção Primária à Saúde
Introdução: A prática médica hegemônica, estruturada sob a racionalidade eurocêntrica e positivista, fragmenta a condição humana e restringe o ato de cuidar à dimensão técnica e instrumental. Esse é um importante desafio para as mudanças na formação médica em curso, em contexto de novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Medicina no Brasil (2025).
Objetivo: Estruturar diretrizes para uma abordagem pedagógica decolonial do Sentirpensar na formação médica, tomando como ponto de partida a integração ensino-serviço-comunidade na Atenção Primária à Saúde (APS).
Método: Pesquisa qualitativa de natureza decolonial e compreensivista, composta por cinco etapas: 1) Produção ensaística fundamentada na alegoria do Ilèkè; 2) Início da adaptação preliminar do Gut Feelings Questionnaire (GFQ) no Brasil; 3) Grupos focais com preceptores, residentes e internos de medicina de família e comunidade; 4) Painel de Encontro de Saberes com mestres de saberes ancestrais; 5) Síntese hermenêutica com base no referencial de Martin Heidegger e nas pedagogias decoloniais (Catherine Walsh).
Resultados e Discussão: O estudo articula o resgate das ontologias e epistemologias ancestrais por meio das categorias do Corazonar e do Sentirpensar, demonstrando que a superação do esgotamento e da precarização na prática clínica exige a reincorporação da afetividade, da espiritualidade e da alteridade no âmbito formativo, com repercussões no âmbito do raciocínio clínico, da formação atitudinal e da ampliação de percepções para a dimensão cuidadora.