ECONOMIA CIRCULAR NA AGRICULTURA FAMILIAR: BARREIRAS E OPORTUNIDADES
Agricultura Familiar, Economia Circular, Sustentabilidade, Práticas Circulares, Pequenos Produtores Rurais.
A agricultura familiar, fundamental para a segurança alimentar global, opera sob pressões ambientais e socioeconômicas que limitam sua sustentabilidade. A economia circular (EC) surge como um modelo promissor para otimizar o uso de recursos, reduzir desperdícios e agregar valor. No entanto, a adoção de práticas circulares ainda é incipiente e pouco sistematizada, carecendo de novos estudos para melhor entender quais são as barreiras e oportunidades de EC na agricultura familiar. O objetivo desse trabalho é identificar práticas de economia circular utilizadas por agricultores familiares, bem como as barreiras e oportunidades relacionadas para a circularidade. Para tanto, foi conduzida uma Revisão Integrativa de Literatura (RIL) nas bases Web of Science, Scopus e Science Direct, no período de 2020 a 2025, resultando na análise de 29 artigos. Complementarmente, foi realizada uma pesquisa de campo por meio de entrevistas semiestruturadas com agricultores familiares do Distrito Federal, analisadas mediante análise de conteúdo temática. Os resultados da RIL evidenciaram que as práticas circulares mais frequentes incluem o reaproveitamento de resíduos orgânicos, a compostagem, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e o uso de fertilizantes orgânicos. As barreiras identificadas são predominantemente socioeconômicas e técnicas, como acesso limitado a crédito, falta de assistência técnica especializada, carência de infraestrutura e dificuldades de escala. Já as oportunidades incluem a valorização de subprodutos, a diversificação da produção, a inserção em mercados diferenciados e o fortalecimento de redes de cooperação. A pesquisa de campo revelou que nenhum dos nove participantes conhecia previamente o conceito de economia circular, embora todos reconhecessem suas próprias práticas como coerentes com o conceito após explicação. As práticas mais consolidadas foram a compostagem, o reaproveitamento de esterco, a reutilização de materiais construtivos e o reuso de águas residuais, concentradas nas estratégias R3 (Reutilizar) e R4 (Reparar). A pesquisa identificou ainda uma dimensão ausente na RIL: a longevidade produtiva dos animais como expressão da estratégia R4 aplicada ao capital biológico. A principal contribuição desta pesquisa reside na demonstração empírica de que a circularidade na agricultura familiar não representa uma inovação externa a ser introduzida, mas um modo de ser produtivo já enraizado, que demanda reconhecimento, apoio técnico e condições estruturais para ser escalado e aprofundado.