A LUTA PELA TERRA: ASSEMBLEIAS KOKAMA COMO FERRAMENTA PARA GARANTIR DIREITOS
Povo Kokama; Assembleias indígenas; Territórios; Demarcação; Tríplice fronteira; Identidade; Epistemologias indígenas; Movimento indígena; Autodeterminação.
Esta dissertação analisa a importância das assembleias Kokama na luta pela demarcação dos
territórios tradicionais, compreendendo-as como espaços políticos, espirituais e pedagógicos
que fortalecem a identidade e a mobilização do povo Kokama. A pesquisa nasce da
necessidade interna de registrar a própria história por meio de uma perspectiva indígena,
articulando memória, epistemologias originárias e participação direta no movimento indígena
Kokama. Com base em sete anos de atuação em assembleias, formações, articulações
territoriais e incidência política, o trabalho adota uma metodologia inspirada na observação
participante, vivência e reinterpretada pelo modo Kokama de pesquisar, que integra corpo,
espírito e território. O estudo evidencia que as assembleias constituem instrumentos centrais
de resistência, debate, cura e deliberação, onde se discutem demarcação, educação
diferenciada, saúde indígena, governança tradicional e fortalecimento da língua materna. O
trabalho também distingue historicamente os povos Kokama e Kambeba, contestando
classificações coloniais que os confundiram e reafirmando o direito à autodeterminação e às
narrativas próprias. No contexto da tríplice fronteira (Brasil–Peru–Colômbia), analisa-se a
reorganização política Kokama, a criação de organizações transfronteiriças e conquistas
recentes na demarcação no rio Içá, articuladas com parceiros indígenas e indigenistas. Ao
dialogar com autores indígenas que defendem a indigenização da antropologia, o trabalho
contribui para uma antropologia feita pelos povos, reafirmando a continuidade histórica, a
resistência e o projeto coletivo de futuro do povo Kokama.