CARACTERÍSTICAS OBSTETRÍCAS E NEONATAIS NA RAÇA MANGALARGA MACHADOR: PREDIÇÃO DO PARTO, AVALIAÇÃO ETOLÓGICA E COMPORTAMENTAL DOS NEONATOS.
Apgar, equino, etologia, neonatologia, obstetrícia.
A indústria equina sofre perdas com mortalidade neonatal e dificuldades no monitoramento do parto, tornando essencial o estudo de métodos padronizados que permitam o monitoramento rigoroso dessa fase, para aumentar a sobrevivência dos potros. Objetivou-se avaliar as características obstétricas e neonatais em animais da raça Mangalarga Machador, oriundos de partos eutócicos a campo, desde o nascimento até às 24 horas. Foram acompanhados 30 partos de éguas da raça Mangalarga Machador e avaliação da secreção mamária, através do pH e refratometria de Brix, tempo de estágio II do parto, análises etológicas e comportamentais. Foram mensurados escore de Apgar no momento do nascimento (T0), aos 5, 15 minutos, às 12 e 24 horas pós-parto, peso e altura dos neonatos no T0, peso da placenta, tempo de posição esternal, início do reflexo de sucção, tempo de estação do potro e da égua, primeira mamada e eliminação do mecônio. Verificou-se diminuição significativa do pH e aumento significativo da porcentagem de BRIX na secreção mamária conforme a égua se aproximava do parto. Potros machos apresentaram tanto o peso médio quanto o peso médio de suas respectivas placentas significantemente maior que as fêmeas. O tempo médio de estágio II do parto (12,03 ± 0,81 min), posição esternal (3,03 ± 0,32 min), reflexo de sucção (12,60 ± 1,22 min), estação do potro (49,67 ± 4,31 min), estação da égua (14,53 ± 1,90 min), eliminação da placenta (64,04 ± 6,87 min), 1ª mamada (104,23 ± 8,26 min) e 1º mecônio (134,24 ± 7,91 min), de acordo com a literatura. Em relação aos parâmetros tempo de estágio II do parto, avaliação etológica e neurocomportamental do potro e escore de Apgar, verifica-se associação positiva entre tempo de posicionamento esternal do potro (0,54) e tempo de estação da mãe (0,69), enquanto tempo de reflexo de sucção (-0,56) estava negativamente em relação às duas primeiras variáveis. Os resultados demonstram que os parâmetros obstétricos, neonatais e comportamentais avaliados em potros da raça Mangalarga Marchador, oriundos de partos eutócicos a campo, encontram-se, em sua maioria, dentro dos padrões descritos na literatura, reforçando a viabilidade desses indicadores na avaliação da adaptação neonatal e da importância do monitoramento integrado da égua e potro nas primeiras horas de vida. Além disso, a utilização de ferramentas como pH e refratometria de Brix mostrou-se eficaz na predição da proximidade do parto. Dessa forma, o emprego de métodos padronizados contribui significativamente para o diagnóstico precoce de alterações, permitindo intervenções oportunas e favorecendo a sobrevivência e o bem-estar dos neonatos equinos.