Banca de DEFESA: Danielle Porcari Alves

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Danielle Porcari Alves
DATA : 30/07/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Hibrida
TÍTULO:

DETERMINANTES DA EPIDEMIOLOGIA DA BRUCELOSE BOVINA NA CADEIA PRODUTIVA DO LEITE NOS SEIS MAIORES ESTADOS PRODUTORES DA PECUÁRIA LEITEIRA BRASILEIRA


PALAVRAS-CHAVES:

brucelose bovina; tipologia de produção leiteira; prevalência; fatores de risco; análise espacial; estimativa de focos; saúde única


PÁGINAS: 110
RESUMO:

A brucelose bovina (bB) é uma zoonose endêmica no Brasil que afeta a cadeia leiteira nacional, exigindo estratégias diferenciadas do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT). Este estudo teve como objetivos: classificar as propriedades leiteiras dos seis maiores estados produtores em tipologias de produção; estimar a prevalência aparente (Pa) e o total de focos de bB por estado (UF), região e tipologia; identificar fatores de risco por regressão logística multivariável; caracterizar a distribuição espacial da doença; e avaliar indicadores de saúde única associados. Foi conduzido um estudo transversal com 5.638 propriedades leiteiras e mistas de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a partir de bancos de dados de inquéritos sorológicos coordenados do Ministério da Agricultura e Pecuária. As propriedades foram classificadas em quatro tipologias, com base em tipo de ordenha e entrega ao mercado formal. A Pa foi calculada para cada região amostrada e para cada tipologia de produção leiteira. A estimativa de focos resultou da multiplicação da Pa pelo total de propriedades em cada estado e circuito. A análise de fatores de risco utilizou regressão logística multivariável com UF e tipologia como variáveis de ajuste; o desempenho do modelo foi avaliado pela curva ROC. A análise espacial foi realizada no SaTScan v10.3, modelo Bernoulli caso-controle, com janela de 15% da população em risco. As propriedades distribuíram-se em quatro tipologias: Tipologia 1, sem mecanização e sem entrega formal (40,96%); Tipologia 2, sem mecanização e com entrega formal (26,42%); Tipologia 3, ordenha mecânica ao pé com entrega formal (22,77%); e Tipologia 4, sala de ordenha com entrega formal (9,83%). A Pa variou de 0,44% em SC a 12,94% em GO. Não houve variação significativa da Pa entre tipologias dentro de cada UF, com intervalos de confiança sobrepostos em todos os estados, indicando que a organização do sistema produtivo não é determinante da presença da doença. A estimativa de focos revelou que GO (9.624) e MG (8.954) concentram o maior número absoluto de focos potenciais; no caso de MG, isso ocorre apesar de prevalência moderada (4,24%), em razão do elevado número de propriedades no estado — resultado com implicação direta para a priorização de ações do PNCEBT. A regressão logística identificou o tamanho de rebanho como único fator de risco: propriedades com mais de 18 fêmeas bovinas apresentam 1,84 vezes mais chance de ocorrência de bB (OR=1,84; IC 95% [1,34–2,54]), após ajuste para UF e tipologia. A AUC foi de 0,76, indicando poder discriminatório aceitável. A análise espacial identificou dois clusters significativos: GO e noroeste de MG (RR=3,57; p<0,001) e SP e sudoeste de MG (RR=2,49; p<0,001). Em termos de saúde única, 35% das propriedades reportaram consumo de leite cru e derivados, sem variação entre tipologias, com 109 casos humanos notificados em 10 anos nos seis estados, refletindo intensa subnotificação. As propriedades que não comercializam leite produzem derivados lácteos em proporção muito superior à demais, o que é esperado, mas deverá ser considerado em políticas de prevenção da transmissão de brucelose zoonótica, numa abordagem de saúde única. Conclui-se que o risco de bB na cadeia leiteira brasileira é determinado principalmente pelo tamanho do rebanho e pela localização geográfica, e não pela tipologia de produção. A estimativa da distribuição regional de focos deve ser considerada em conjunto com a prevalência percentual para otimizar a alocação de recursos do PNCEBT. A Tipologia 1, de pequenos produtores que não comercializam leite, embora não associada a maior prevalência, representa o maior risco integrado à saúde pública pelo volume de produção informal e consumo de leite cru e seus derivados, sem tratamento térmico.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2352263 - VITOR SALVADOR PICAO GONCALVES
Interna - 2324672 - ANGELA PATRICIA SANTANA
Interno - 1307139 - FABIANO JOSE FERREIRA DE SANT ANA
Externo à Instituição - FERNANDO FERREIRA - USP
Externo à Instituição - Mikael Arrais Hodon - MAPA
Notícia cadastrada em: 22/07/2026 13:35
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