Avaliação da assistência prestada às pessoas vivendo com HIV em um hospital universitário no Distrito Federal
HIV; Modelo de Cuidado de Condições Crônicas; Modelos de Assistência à Saúde; Avaliação da Qualidade dos Cuidados de Saúde; Avaliação em Saúde
Com a evolução do tratamento antirretroviral, o HIV passou a ser reconhecido como uma condição crônica, exigindo uma abordagem assistencial centrada na pessoa, capaz de garantir a adesão tanto à terapia medicamentosa quanto ao acompanhamento contínuo nos serviços de saúde. Nesse contexto, torna-se imprescindível a reorganização e a adaptação dos serviços para responder às novas demandas relacionadas à longitudinalidade do cuidado, ao manejo de comorbidades e ao fortalecimento do vínculo com os usuários. O objetivo desse trabalho é avaliar a assistência prestada pelo Sistema Único de Saúde às pessoas que vivem com HIV/Aids em um Serviço de Assistência Especializado no Distrito Federal. Trata-se de um estudo avaliativo, transversal, com abordagem quantitativa e qualitativa que avaliou a percepção do cuidado na perspectiva das pessoas vivendo com HIV (PVHIV), através do instrumento: Patient Assessment of Chronic Illness Care (PACIC); e dos profissionais envolvidos no cuidado, através do Assessment of Chronic Illness Care (ACIC). Foram entrevistadas 65 PVHIV, e o escore médio global do PACIC foi de 3,0 (DP±1,75), indicando capacidade básica para o cuidado ao HIV na percepção dos usuários do serviço de saúde. O maior escore observado foi no componente desenho da linha de cuidados, com média 3,72 (DP±1,65). O menor escore foi atribuído a Segmento/ coordenação com média 2,20 (DP±1,57). Para a percepção dos profissionais, foram entrevistados 17 profissionais de diferentes setores, que atribuíram uma capacidade razoável para atenção ao HIV, com escore médio global do ACIC de 6,0 (DP±2,3). Os maiores escores foram observados nos componentes autocuidado apoiado (média 7,7; DP ±3,5) e desenho da linha de cuidado (média 7,0;DP ±1,7), enquanto o sistema de informação clínica (média 4,9; DP ±1,8), e a integração dos componentes (média 4,9; DP ±1,5) apresentaram os menores desempenhos. Os instrumentos aplicados mostraram-se úteis para captar, de forma complementar, as percepções de usuários e profissionais, indicando as limitações e fortalezas do serviço, configurando-se como ferramentas estratégicas para o monitoramento e aprimoramento contínuo da atenção às pessoas vivendo com HIV no SUS.