Hanseníase em populações indígenas: avaliação da qualidade de dados do sistema de informação, distribuição e tendência temporal da doença e fatores associados a incapacidades físicas no período de 2010 a 2023.
Hanseníase, Saúde indígena, Qualidade de dados, Sistema de informação em saúde.
Introdução: A hanseníase é uma doença endêmica de importância em nível mundial, com transmissão ativa e distribuição que não ocorre de forma homogênea no território. Quando se trata de população indígena que vive em territórios indígenas, há dificuldade de identificação de análises sobre hanseníase no nível nacional, desta forma, há necessidade de avaliação da qualidade de dados do Sistema de Informação de Atenção à Saúde Indígena (Siasi) quanto aos registros de hanseníase, e avaliação do perfil da doença e sua tendência na população indígena. A escassez de pesquisas sobre o perfil epidemiológico e tendência da doença na população indígena no país indica a necessidade de aprimorar o conhecimento sobre essa ocorrência nessa população. Objetivo: Avaliar as características clínicas e epidemiológicas, a magnitude, a tendência temporal da hanseníase e os fatores associados a incapacidades físicas no diagnóstico e na cura em populações indígenas entre 2010 e 2023. Métodos: Foram realizados quatro estudos, (i) estudo avaliativo da qualidade de dados dos registros de hanseníase no Siasi, por meio da completitude, consistência e não duplicidade de registros. Seguido de, (ii) estudo de avaliação da qualificação da base de dados de hanseníase no Siasi, após tratamento de dados entre variáveis desse sistema e do relacionamento da base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. A partir da base de dados qualificada do Siasi foi realizado, (iii) estudo ecológico descritivo e analítico de série temporal para caracterização dos casos novos de hanseníase e avaliação de tendência da hanseníase, para esta análise foi empregado o teste de Mann-Kendall e a magnitude da tendência foi estimada por meio do Sen’s slope. E por fim, (iv) estudo transversal, descritivo e analítico, para avaliação de fatores associados a incapacidade física no diagnóstico e após a cura de casos novos de hanseníase em populações indígenas. Resultados preliminares: Dos registros de hanseníase no Siasi, foram identificadas 11,7% prováveis duplicidades; para completitude, das 16 variáveis clínico-epidemiológicas, 56,25% apresentaram grau de completitude regular; para consistência, foram realizados sete pareamentos entre variáveis e para quatro destes, a coerência foi excelente. No estudo de qualificação dos dados do Siasi, o ganho de informação, a partir da variação percentual da completitude ficou entre 5,5% para a variável “tipo de entrada” à 58,3% para a variável “tipo de saída”. A taxa de detecção de casos novos de hanseníase nas populações indígenas, teve seu pico em 2017 com 10,45 casos por 100 mil/hab, já em 2023, a taxa ficou em 4,34 casos por 100 mil hab. Quanto à evolução do grau de incapacidade física do diagnóstico para a cura, houve manutenção do grau de incapacidade do diagnóstico para a cura em 138 (70,1%) registros, melhora em 40 (20,3%) e piora em 19 (9,6%) dos registros. Conclusão: As duplicidades dos registros ficaram acima do aceitável, a maior parte das variáveis apresentou completitude regular e consistências regulares ou excelentes, apresentado também elevada ocorrência de dados em branco, que podem influenciar neste resultado. O tratamento e relacionamento de bases de dados, levou a ganho de informação de variáveis do Siasi, importantes para sua qualificação, o que demonstra a necessidade da avaliação e qualificação de forma rotineira desse sistema que é instrumento de importância para acompanhamento da saúde da população indígena, pois problemas na qualidade dos seus dados desfavorecem a sua utilização para tomada de decisões no enfrentamento da hanseníase que ainda se apresenta com elevadas taxas na população indígena.