CONDIÇÕES CARDIOVASCULARES PÓS-COVID: EVIDÊNCIAS SOBRE FATORES ASSOCIADOS E PROGNÓSTICO, ANÁLISE DE CAUSALIDADE DA VACINAÇÃO E IMPACTO ECONÔMICO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA PÓS-COVID NO BRASIL (2020-2021).
Doenças cardiovasculares; Covid-19; Condições pós-covid; Fatores de risco; Prognóstico; Vacinas contra covid-19; Causalidade; Insuficiência cardíaca; Custo da doença.
Introdução: Condições cardiovasculares estão entre as condições pós-covid. Seu entendimento é essencial para elucidar a história natural da doença, orientar o tratamento e medidas preventivas, a fim de reduzir desfechos negativos após a fase aguda da covid-19. Este estudo procurou sintetizar evidências sobre os fatores associados às condições cardíacas pós-covid, os principais desfechos entre os indivíduos afetados e seus potenciais fatores prognósticos. Buscou, ainda, avaliar a presença de relação causal entre a vacinação e a prevenção de condições cardiovasculares pós-covid e estimar a carga econômica da insuficiência cardíaca pós-covid (ICPC) no Brasil. Métodos: Foram realizados três estudos - revisão sistemática, reflexão teórica sobre causalidade e estudo de custos de doença. A revisão sistemática obedeceu às diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), utilizando as bases: EBSCOhost, MEDLINE/PubMed, BVS e Embase, de janeiro de 2020 a dezembro de 2023. A revisão narrativa reuniu artigos publicados entre 2020 e 2025. A busca foi realizada no MEDLINE/PubMed, Embase, BVS, EBSCOhost e literatura cinzenta. A evidência sobre o efeito protetor das vacinas covid-19 contra doenças cardiovasculares, em pacientes com condições pós-covid, foi examinada fundamentando-se nos critérios de Bradford Hill e no modelo de causa componente suficiente. O estudo de custos da ICPC foi realizado nas perspectivas do SUS e da sociedade, considerando os casos de covid-19, registrados nos bancos de notificação de Síndrome Gripal de 2020 e 2021. Foram estimados os custos diretos médicos relacionados ao diagnóstico, à assistência prestada na consulta de urgência, hospitalização e no tratamento dos casos de ICPC; e os custos indiretos, relacionados à perda de produtividade por mortalidade precoce e por morbidade. Foram realizadas análises de sensibilidade determinísticas e probabilística. Resultados: Na revisão sistemática, foram identificados 8.343 artigos e, após a aplicação dos critérios de elegibilidade, sete foram incluídos na extração dos dados. O destaque, entre os fatores associados, foi o efeito protetor da vacinação, com redução do risco de desenvolver condições cardiovasculares pós-covid. Sobre principais desfechos desses pacientes, a maioria dos pacientes se recuperou, sendo observada a persistência de alguns quadros, após 200 dias de seguimento. A vacina covid-19 satisfaz quatro dos nove critérios de Bradford Hill como variável protetora contra condições cardiovasculares pós-covid. Três critérios foram parcialmente atendidos. A carga econômica da ICPC em 2020 foi de R$ 4.350.979.417,76 e de R$ 295.665.427,78, na perspectiva da sociedade e do SUS, respectivamente. Para 2021, o custo da ICPC para a sociedade foi estimado em R$ 4.208.413.405,52, e em R$ 279.695.900,02 para o SUS. A vacinação reduziu o número de casos estimados de ICPC e, consequentemente, os custos em 2021. Conclusões: O esquema vacinal contra a covid-19 reduz o risco de desenvolver condições cardiovasculares pós-covid. Observou-se uma economia atribuída à introdução da vacinação na estimativa dos custos da ICPC, reforçando a importância de políticas públicas de prevenção, como o incentivo à imunização, para evitar a ocorrência de infecções, reinfecções do SARS-CoV-2 e condições pós-covid. Estudos como este ajudam a direcionar estratégias de prevenção, monitoramento dos casos e assistência especializada, no contexto das condições pós-covid.